O Ministério da Saúde da Argentina confirmou, nesta terça-feira, mais três mortes causadas pela gripe suína no país. Com os novos casos, o total de mortes relacionadas à doença na Argentina passa a ser de quatro.

Na última segunda-feira, a ministra da Saúde, Graciela Ocaña, havia confirmado a primeira morte relacionada à influenza A (H1N1) no país, a de uma criança do sexo feminino de três meses de idade.

Em uma entrevista coletiva nesta terça-feira, o vice-ministro da Saúde, Carlos Soratti, informou que foram registradas mais três mortes relacionadas à doença e afirmou que, somente nesta terça-feira, foram confirmados 138 novos casos, aumentando para 871 o total de pessoas infectadas com o vírus H1N1.

Com os novos números, a Argentina passa a ser o país da América do Sul com o maior número de mortes confirmadas relacionadas à doença. No Chile, segundo os últimos dados oficiais, foram registradas duas mortes.

O Chile, no entanto, continua a ser o país com o maior número de casos confirmados na região, com 2.300 infectados.

Vítimas
Entre as mortes confirmadas nesta terça-feira está a de um homem de 28 anos de idade, que havia realizado um transplante de medula há 10 anos e estava internado com problemas respiratórios em um hospital público de La Plata, capital da Província de Buenos Aires.

Outra vítima seria uma menina de dez anos, da capital argentina, que tinha sintomas de meningite. Não foram revelados dados da quarta vítima.

Também nesta terça-feira, os pais e a avó da menina Leila, cuja morte foi confirmada na segunda, afirmaram que ela entrou no hospital sem os sintomas da gripe suína.

"Minha neta se contaminou no hospital. Ela entrou ali sem febre e só informaram que ela teve essa gripe depois que morreu", disse Mabel Antonia Britov, avó da criança.

Autoridades do Ministério da Saúde afirmaram que a situação será analisada e que dificilmente poderá ser detectado, com exatidão, onde o bebê e as outras vítimas fatais contraíram o vírus.

Comportamento
As notícias sobre as mortes e os novos casos de gripe suína começaram a mudar o comportamento dos argentinos, que temem serem infectados.

Nesta terça-feira, o vice-ministro da Saúde, Carlos Soratti, recomendou que os argentinos evitem lugares com multidões e viagens a locais com clima mais frio que a capital argentina, como a cidade de Bariloche e o Chile.

"Se possível evitem estes lugares e viagens ao Chile", afirmou à rádio Diez.

Bariloche, na Patagônia, é um destino turístico que costuma atrair argentinos e brasileiros nas férias de inverno.

O governo argentino, no entanto, decidiu, nesta terça-feira, não fechar mais as escolas que registrarem alunos contaminados com a doença. Pelo menos 48 escolas, no entanto, permanecem sem funcionar.

Medo
O medo do vírus passou a ser um dos principais assuntos na capital argentina.

Taxistas deixam os vidros dos carros abertos, apesar do frio, atendendo à recomendação das autoridades sanitárias para que deixem o "ar circular".

Em locais fechados, como bancos, restaurantes e cabeleireiros, qualquer um que espirre pode ser olhado com desconfiança pelos outros.

Recentemente, na Província de Mendoza, moradores apedrejaram um ônibus que levava um chileno que tinha febre alta.

A polícia teve que intervir para que o ônibus, que chegara do Chile, pudesse sair do local.

Infectologistas ouvidos pela BBC Brasil disseram que aumento no número de casos da doença já era esperado, devido às baixas temperaturas desta época do ano.

"A tendência é a Argentina ter a mesma situação que o Chile", disse o infectologista Miguel O'Ryan, da Universidade do Chile.

"A única alternativa é a prevenção, evitando-se lugares fechados, apesar do frio", disse o médico argentino Hugo Paganini, do hospital Garrahan, de Buenos Aires.

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