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Argentina condena general torturador a prisão perpétua

Por César Illiano BUENOS AIRES (Reuters) - A Justiça argentina condenou na quinta-feira o ex-general Luciano Benjamín Menéndez à prisão perpétua por causa da morte de quatro militantes de esquerda em um centro de torturas dirigido por ele durante o regime militar de 1976-83.

Reuters |

A leitura da sentença foi festejada por centenas de pessoas nos arredores do tribunal, na província de Córdoba (centro do país), onde funcionava o Terceiro Corpo do Exército, sob comando do general.

Mas o plenário aplaudiu com ainda mais entusiasmo a decisão de que Menéndez, de 80 anos, deve cumprir pena numa penitenciária, e não em prisão domiciliar.

'Morra, velho de merda', gritou uma das presentes. O julgamento foi acompanhado por parentes das vítimas e por várias integrantes das Avós e Mães da Praça de Maio, usando os seus famosos lenços brancos na cabeça.

Outros sete repressores foram condenados a penas de 18 anos até prisão perpétua, por delitos similares aos de Menéndez.

Eles também irão para prisões comuns.

'Este é um caminho que já não tem volta e vai ser imitado por obrigação ou por convicção por muitos outros juízes', disse a jornalistas Estela de Carlotto, líder das Avós da Praça de Maio.

Entidades de direitos humanos dizem que até 30 mil ativistas políticos desapareceram nas mãos do aparato repressivo montado pela última ditadura -- muitas delas atiradas de helicóptero ao mar depois de serem sedadas. Uma comissão independente comprovou 11 mil casos, revelando os métodos usados na tortura.

Durante o mandato do ex-presidente Néstor Kirchner (2003-07), a Justiça reabriu vários processos e o Congresso anulou leis que anistia que beneficiavam centenas de repressores.

O governador de Córdoba, Juan Schiaretti, que assistiu à sessão, disse que Menéndez foi 'o maior responsável pela noite de terror na qual esteve mergulhada nossa província há 30 anos'. 'Ele semeou a morte e o terror porque cometeu crimes de lesa-humanidade.'

Durante o julgamento, o réu fez uma veemente defesa daquele regime, alegando que o Estado tinha obrigação de agir contra a subversão e a agitação política. Afirmou que a Argentina teria 'o duvidoso mérito de ser o primeiro país da história do mundo que julga seus soldados vitoriosos que lutaram e venceram por ordem de e para seus compatriotas'.

Segundo ele, o comunismo conseguiu afinal se infiltrar na estrutura política argentina. 'Antes, os terroristas estavam na ilegalidade. Agora, se apropriaram da legalidade e fingem ser pacíficos cidadãos ajustados à lei e à Constituição', acrescentou.

'Os argentinos sofremos uma guerra, desatada pelos sicários nativos do comunismo internacional', afirmou.

(Reportagem de César Illiano)

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