Argentina condena ex-generais a prisão perpétua

Um tribunal na Argentina condenou dois ex-generais da época do regime militar no país (1976-1983) a penas de prisão perpétua pela morte do senador Guillermo Vargas Aignasse. Domingo Antonio Bussi e Luciano Benjamín Menéndez, ambos octagenários, foram considerados culpados pelo seqüestro, tortura e morte do político, em 1976.

BBC Brasil |

Aignasse foi detido no dia do golpe militar no país, 24 de março, e supostamente liberado, porém jamais foi visto novamente.

Segundo o correspondente da BBC em Buenos Aires, Daniel Schweimler, ambos estão entre os homens considerados mais representativos de um regime brutal.

Bussi, ex-governador da Província de Tucumán, no norte do país, e Menéndez, chefe do 3º Corpo do Exército, negaram as acusações e procuraram defender o regime.

'Agressão comunista'
"Estávamos em uma guerra entre grupos. Vivemos um enfrentamento entre os agressores apátridas e a República através de seu braço armado", disse Bussi, de 82 anos. "Muito obrigado aos soldados que me ajudaram a salvar a Argentina histórica da agressão comunista."
Menéndez, de 81 anos, afirmou: "A perseguição dos deliqüentes subversivos não foi repressão (...) Aplicando as leis, as Forças Armadas cumpriram a missão encomendada pela Nação de vencer o inimigo."
"E somos nós que estamos sendo julgados. Temos a duvidosa hora de ser o primeiro país do mundo a julgar seus soldados vitoriosos que lutaram pela ordem e pelo bem de seus compatriotas", afirmou Menéndez.

Participaram do julgamento 30 testemunhas, entre familiares do senador desaparecido, vítimas da repressão ilegal e ex-integrantes das forças de segurança.

Menéndez foi condenado em outro caso de violações de direitos humanos em meados deste mês, e há outras acusações pendentes contra os dois homens.

O tribunal decidiu nesta quinta-feira, contudo, adiar uma decisão sobre as condições em que as penas serão cumpridas. Bussi deve se manter, por enquanto, em prisão domiciliar, e Menéndez, fica detido em uma unidade militar.

A decisão irritou grupos de defesa dos direitos humanos, familiares das vítimas do regime, e representantes de partidos esquerdistas reunidos diante do tribunal em Tucumán.

Eles pediam que os condenados fossem cumprir pena em prisão comum.

Estima-se que 30 mil pessoas tenham desaparecido e foram mortas durante o regime militar argentino.

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