Argentina comemora segundo Oscar de sua história

Buenos Aires, 8 mar (EFE).- O argentino O Segredo dos Seus Olhos levou o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, levando o país a festejar sua segunda estatueta e sexta indicação recebida ao prêmio.

EFE |

Atores, diretores de cinema, críticos da tela grande e a imprensa local repercutiram a vitória da produção hispânico-argentina.

A crueza da trama, que narra a resolução de um assassinato após 25 anos de investigação, não é barreira para boas doses de humor.

Para o protagonista do filme, o argentino Ricardo Darín, a equação foi a chave para que a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas escolhesse "O Segredo dos Seus Olhos" frente a outras quatro candidaturas "muito boas".

"Quando vi os outros filmes, comecei a pensar que podíamos ganhar. Eles ofereceram à nossa história uma brecha através da qual foi possível contar uma história dura e áspera sem perder o humor e a cotidianidade", destacou Darín.

O longa argentino, baseado em um livro de Eduardo Sacheri, venceu o alemão e grande favorito "A Fita Branca", o hispânico-peruano "O Leite da Amargura", o francês "Um Profeta" e o israelense "Ajami".

"Foi milagroso", sintetizou Darín, que acompanhou a cerimônia em Buenos Aires.

A presidente argentina, Cristina Fernández de Kirchner, considerou que o filme é uma produção "extraordinária" e que "vai deslumbrar o mundo inteiro".

"Estamos contentes porque ganhamos com 'O Segredo dos Seus Olhos', um filme fantástico que vi duas vezes e que me impactou", destacou Cristina durante um ato no Ministério da Educação.

Darín contou que, de todas as ligações que recebeu hoje para receber os parabéns pelo Oscar, a que mais lhe surpreendeu foi a da presidente argentina.

"(Cristina Kirchner) ligou para dar os parabéns e para dizer que se sentia muito orgulhosa. Achei que foi um gesto muito lindo.

Segundo me contou, viu o filme duas vezes. É um gesto que valorizo muitíssimo", disse o ator.

Para a atriz argentina Soledad Villamil, também protagonista do filme, o grande merecedor do prêmio é Juan José Campanella, "que foi roteirista, produtor, mentor e diretor" da produção, que bateu recorde de público na Argentina com 2,5 milhões de espectadores.

O primeiro filme argentino a receber um Oscar foi "A História Oficial" (1985), de Luis Puenzo, que levou ao cinema as experiências das vítimas da ditadura militar do país (1976-1983) e dos milhares de desaparecidos durante o regime.

"O Segredo dos Seus Olhos" também apresenta um subtexto político: o da violência protagonizada pelo grupo de extrema-direita Aliança Anticomunista Argentina, o chamado "Triplo A", durante os anos 70.

A atriz Norma Aleandro, protagonista de "A História Oficial", disse estar "muito feliz" com o Oscar para o filme de Campanella e que o prêmio "vai fazer muito bem ao cinema argentino".

A Argentina já havia disputado a estatueta de Melhor Filme Estrangeiro com os filmes "A Trégua" (1974), "Camila" (1984), "Tango" (1998) e "O Filho da Noiva" (2001), este último também dirigido por Campanella.

"Quero agradecer à Academia por não considerar o Na'vi (idioma criado para o filme "Avatar") uma língua estrangeira", brincou o diretor de "O Segredo dos Seus Olhos", visivelmente nervoso e emocionado, ao receber o Oscar.

Em entrevista coletiva após a cerimônia, já mais relaxado, Campanella demonstrou entusiasmo com o empurrão comercial que o filme pode ganhar agora.

O diretor aproveitou a oportunidade para lembrar Darín da promessa que fez caso "O Segredo dos Seus Olhos" levasse a estatueta: dar uma volta olímpica no Obelisco de Buenos Aires sem roupa. EFE ms/pb/bba

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