Argentina aposta no diálogo para resolver impasse sobre Malvinas

Buenos Aires, 18 fev (EFE).- A Argentina pedirá à ONU que impulsione uma mesa de negociação com o Reino Unido sobre a soberania das Malvinas, questão de fundo do conflito bilateral sobre o arquipélago, como afirmaram hoje diplomatas.

EFE |

O embaixador argentino nas Nações Unidas, Jorge Argüello, disse hoje que este é o pedido que o chanceler Jorge Taiana apresentará ao secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, na reunião prevista para a próxima quarta-feira em Nova York.

Taiana viajará a Nova York num momento de tensão entre Argentina e Reino Unido pelo arquipélago do Atlântico Sul. A questão remonta ao século XIX, foi motivo de uma guerra em 1982 e, nas últimas semanas, se viu intensificado pelos planos britânicos de exploração petrolífera nas Malvinas, uma atividade rejeitada pelo país sul-americano.

"Estamos tentando gerar as condições propicias para o diálogo e a negociação", ressaltou Argüello à agência de notícias oficial "Télam". Segundo ele, o objetivo é "discutir a questão de fundo: a soberania das ilhas".

O embaixador Argüello disse que até agora não foi possível que o Reino Unido cumprisse as resoluções da ONU, em referência aos pronunciamentos que todos os anos o Comitê de Descolonização emite exigindo aos dois países que sentem e conversem para encontrar uma saída pacífica à polêmica de soberania.

"Por outro lado, sempre recebemos recusas a abrir a discussão", apontou Argüello, que tachou de "grave" a posição do Reino Unido, "um país que não só faz parte dos 192 membros da ONU, mas também dos cinco do Conselho Permanente".

Ele assegurou que a reunião de quarta-feira próxima será "uma boa oportunidade" para conversar sobre os novos passos que a Argentina entende que o secretário da ONU deveria dar em função das recomendações Assembleia Geral.

Nesse sentido, insistiu que a Argentina procura conseguir algo que não foi alcançado pelas resoluções e pronunciamentos da ONU: aproximar as duas partes em uma mesa de negociação para que, em termos políticos e diplomáticos, se comece a discutir a "questão de fundo, a soberania das ilhas".

Argüello criticou o fato de que, do Reino Unido, se mencione o "fantasma bélico" e considerou "pelo menos imprudente" que o primeiro-ministro Gordon Brown tenha dito hoje que foram tomadas as medidas necessárias para garantir a segurança dos habitantes da ilha.

"Não é a primeira vez que no Reino Unido, seja do Governo ou da oposição, se volte ao fantasma bélico", lembrou.

O vice-chanceler argentino, Victorio Taccetti, também se pronunciou sobre o conflito. Ele reiterou que a Argentina está tomando medidas "em defesa" de sua soberania sobre as Ilhas Malvinas e lembrou que tal política é "permanente" na agenda do Governo.

Na última terça-feira, a Argentina deu um novo passo na estratégia para evitar o início da prospecção petrolífera no arquipélago e anunciou o aumento de controles para o tráfego marítimo.

O Governo britânico minimizou a importância da medida por considerar que as águas que cercam as Malvinas (Falklands, para eles) estão sob controle das autoridades das ilhas e que, portanto, não serão prejudicadas pelo decreto da presidente Cristina Kirchner.

Em um ato público na terça, Cristina reivindicou ao Reino Unido que se sente para dialogar sobre a soberania das Malvinas, tal como estabelecem as resoluções das Nações Unidas. A chefe de Estado denunciou o fato de Londres "ignorar" essas resoluções e adotar medidas "unilaterais" sobre as ilhas.

A Argentina também renovou as advertências contra as petrolíferas que operam no arquipélago e lembrou que serão passíveis de processos judiciais nos principais tribunais pela potencial prospecção e exploração de recursos argentinos.

No último dia 11, o Governo Cristina Kirchner passou das palavras às ações e proibiu a operação em todos os portos do país da embarcação "Thor Leader", que levou ao arquipélago material para que a empresa Desire Petroleum iniciasse a prospecção.

Brown assegurou hoje que o Reino Unido tem o direito de iniciar a prospecção de petróleo em águas das ilhas, e frisou que não será necessário enviar uma força especial ao Atlântico Sul como resposta às medidas tomadas pela Argentina. EFE cw/rr

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