Argentina apelará contra embargo da conta do Banco Central nos EUA

O presidente do Banco Central da Argentina, Martín Redrado, disse nesta quarta-feira que advogados contratados pelo país vão apelar contra a decisão do juiz americano Thomas Griesa, de Nova Iorque, que na terça-feira determinou o embargo de US$ 1,7 milhão de uma conta do Banco Central da Argentina nos Estados Unidos. Vamos reverter a decisão do juiz Griesa, afirmou Redrado.

BBC Brasil |

O juiz americano atendeu o recurso dos fundos que representam credores que investiram nos títulos públicos da dívida argentina antes da declaração do default do país em 2001 e que rejeitaram a oferta de acordo feita pelo governo do então presidente Nestor Kirchner em 2005.

Motivação política

A informação sobre o embargo foi confirmada pela presidente, Cristina Kirchner, e pelo ministro argentino da Economia, Amado Boudou, que criticaram a decisão do juiz.

"Foi um embargo de US$ 1,7 milhão de uma conta do Banco Central", disse Boudou. O ministro chamou o juiz de "embargador serial" por já ter embargado outras contas argentinas, de menor valor, dentro do mesmo processo de default.

Segundo Boudou, o atual embargo poderia chegar a US$ 15 milhões, valor depositado nesta conta do Banco Central argentino nos Estados Unidos. O ministro sugeriu que a decisão de Griesa estaria ligada a política interna argentina.

"Parece que os fundos abutres (como são chamados os fundos que representam os credores) têm escritório em Buenos Aires", afirmou.

Em dezembro, a presidente anunciou a criação do Fundo Bicentenário, que funcionaria com US$ 6,5 bilhões das reservas do Banco Central para pagamento da dívida pública do país.

Segundo Cristina, a argentina se "prostituiu" para pagar suas dívidas e sua decisão é livrar o país deste passivo.

"O que convém aos fundos abutres é que a troca de papeis da dívida (que vinha sendo preparada por Boudou) não seja realizada ou que as taxas subam, afirmou Cristina.

Disputa

A medida do juiz Griesa ocorre no momento em que o governo de Cristina Kirchner, a oposição no Congresso Nacional e a justiça travam uma disputa em torno do presidente do Banco Central, Martín Redrado, e das reservas da instituição.

Em discursos separados na terça-feira, a presidente e Boudou se referiram a Redrado como "ex-presidente", e criticaram a justiça e a oposição por "dificultarem" a situação do país.

"Como se explica que um ex-presidente do Banco Central seja transformado em 'okupa' (invasor). Ele foi colocado pela presidente e essa presidente tomou a decisão (de demiti-lo) por um Decreto de Necessidade e Urgência (equivalente a Medida Provisória) porque o Congresso não tinha formado as comissões correspondentes para tratar do assunto", disse Kirchner.

Sem citar nomes, Cristina criticou a juíza do caso, María Sarmiento, que na semana passada determinou que Redrado continue no cargo e as reservas não sejam tocadas até novo parecer judicial.

"Uma juíza delivery que atende rapidamente (às apelações) da oposição", afirmou a presidente.

Cristina Kirchner se referiu ainda ao seu vice-presidente - o senador Julio Cobos, que é presidente do Senado e crítico do governo e que durante o recesso desta semana convocou parlamentares para analisar a situação de Redrado.

"Acho que o vice-presidente quer ser presidente antes de 2011", disse Cristina. As eleições presidenciais devem ocorrer no ano que vem.

Na semana passada, a presidente assinou dois decretos: um prevendo a demissão de Redrado porque ele estaria demorando a liberar os recursos e o outro liberando os recursos para o pagamento da dívida. As medidas levaram Redrado a apelar à Justiça.

A oposição também apelou contra os decretos e o governo depois entrou com apelação contra a decisão da juíza Sarmiento, de suspendê-los.

Com o embargo das reservas, o valor dos títulos públicos argentinos registrou forte queda nesta terça-feira.

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