A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, anunciou nesta segunda-feira um pacote de incentivo ao setor rural. O pacote prevê recursos para o combate à seca e para estimular a produção de leite; redução de impostos para a produção de frutas secas, hortaliças, trigo e milho; e estabelece uma jornada de trabalho semanal de 48h para os trabalhadores das fazendas.

Os produtores de soja, o principal produto agrícola de exportação da Argentina, não foram contemplados por nenhum benefício previsto no plano.

"A plantação de soja foi a que mais cresceu nos últimos anos, enquanto que o cultivo de trigo caiu 20% e de milho 10% e por isso devem ser estimulados. Além disso, trigo e milho são fundamentais na mesa dos argentinos", disse a presidente.

Cristina não revelou o total que será investido no pacote, mas afirmou que serão destinados ao combate à seca cerca de US$ 67 milhões.

Esse foi o sexto pacote econômico anunciado por Cristina em cerca de um mês, mas o primeiro voltado apenas ao setor rural.

Críticas
O anúncio foi feito nove meses após o início de uma série de protestos do setor ruralista contra o aumento de impostos às exportações, principalmente de soja, e que durou mais de cem dias.

Foi a pior crise enfrentada por Cristina desde que assumiu o poder, há pouco mais de um ano.

Pouco depois dos anúncios desta segunda-feira, o presidente da Sociedade Rural Argentina, Hugo Biolcati, disse que as medidas não vão ajudar a resolver os problemas do setor.

"Estamos enfrentando sérios problemas e estas medidas não vão nos ajudar em nada. Não sei por que não incluíram a soja nesse pacote", disse.

Já o vice-presidente da Federação Agrária Argentina (FAA), Ulises Forte, disse que o anúncio foi "mesquinho e absurdo" por não incluir a soja.

Quando perguntado por que o grão não tinha sido incluído nos anúncios, o secretário de Agricultura, Carlos Cheppi, respondeu: "Não era o caso. E o problema (dos ruralistas) é que nossas medidas jamais agradam. O que queremos é favorecer mais e mais os pequenos produtores".

Bônus
Nesta segunda-feira, Cristina anunciou ainda pagamento de um bônus de fim de ano (200 pesos) para quem recebe até 1240 pesos, valor do salário mínimo. E ainda um bônus de 150 pesos para os que vivem do benefício do governo para os desempregados.

Os outros pacotes incluíram redução de impostos para a classe média, bônus de natal para os aposentados e ainda planos para facilitar a compra de carro zero quilômetro e a troca de eletrodomésticos usados por novos.

Segundo analistas políticos, tudo indica que os últimos anúncios da presidente podem contribuir para melhorar sua imagem popular.

Os economistas Marina Dal Poggetto, da consultoria Estudio Bein, e Orlando Ferreres, da consultoria Ferreres e Associados, entendem que os anúncios chegam em boa hora, mas a dúvida é como eles vão sair do papel.

"O governo vai ter que fazer milagres com o dinheiro que tem para pagar as dívidas que vencem no ano que vem e os anúncios dos últimos dias", disse Ferreres.

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