Argentina amplia lista de produtos com entrada restrita

Pouco depois do fim da VII Reunião Extraordinária do Conselho do Mercosul, em Brasília, nesta segunda-feira, a Direção Geral de Aduanas (órgão que controla a entrada de produtos na Argentina,) divulgou comunicado ampliando a lista dos produtos que sofrerão mais restrições para entrar no país. Desta vez, o alvo são os produtos do setor têxtil.

BBC Brasil |

A assessoria do órgão explicou que estes produtos deveriam ter sido incluídos na medida divulgada há quinze dias e que listou quase 22 mil produtos, principalmente da Ásia, que sofrerão restrições para entrar na Argentina. A lista também incluiu mercadorias brasileiras.

O comunicado, intitulado "Valores - Critério de Caráter Preventivo", estipula preços mínimos para entrada de alguns produtos no país, procurando evitar assim a entrada de mercadorias com preços muito abaixo do valor de mercado.

"Conforme expressou a Organização Mundial de Aduanas, a definição deste critério de valores (...) representa estímulo e proteção à indústria nacional", diz o documento.

A nova lista inclui determinados produtos de algodão, de fibras sintéticas e de lã, entre outros.

Os países de origem desta produção com entrada restrita são Brasil, Paraguai, Uruguai (sócios da Argentina no Mercosul), Colômbia, Equador, além da China e da Indonésia, entre outros países asiáticos.

De acordo com autoridades do governo argentino, estas medidas não significam "barreiras" contra estes produtos, mas "maior rigor" para sua entrada na Argentina.

Mercosul
Nesta segunda-feira, em Brasília, onde participou da reunião do Mercosul, o ministro das Relações Exteriores do país, Jorge Taiana, afirmou que a Argentina propôs a criação de uma "comissão de monitoramento" do comércio dentro do bloco.

"A Argentina propôs a criação desta comissão para acompanhamento do fluxo de comércio e para estabelecer se ele pode afetar ou não, e de que maneira, os níveis de produção de nossos países".

A Argentina já havia sugerido o aumento da Tarifa Externa Comum (TEC) para os produtos asiáticos, principalmente, diante do temor de uma "invasão" desta produção em tempos de crise.

"Se eles não conseguirem mandar mercadorias para outros lugares, já que a crise prejudica o comércio mundial, vão tentar enviar estes produtos para nossos países e temos que ter cuidado", disse um assessor do governo da presidente Cristina Kirchner.

"Proteger a indústria nacional não é pecado", disse o embaixador argentino no Brasil, Juan Pablo Lohlé, de acordo com a imprensa argentina.

Mas o comunicado conjunto divulgado nesta segunda-feira em Brasília não fala em proteção - iniciativa que não agrada o governo brasileiro.

O comunicado destaca que os países que participaram do encontro concordaram na necessidade de realizar o "acompanhamento dos possíveis impactos da crise tanto nos mercados financeiros locais como nos níveis de produção e emprego".

A reunião contou com a presença de ministros das Relações Exteriores, da Fazenda e presidentes dos bancos centrais de Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e dos países associados ao bloco.

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