Argelino libertado de Guantánamo dá entrevista à rede ABC

O argelino Lakhdar Boumediene, libertado após sete anos preso em Guantánamo, fez um relato de sua detenção e reafirmou sua inocência em ao canal de televisão americano ABC, que nesta segunda-feira divulgou trechos da entrevista na internet.

AFP |

"Sou um homem normal, não sou um terrorista", disse Boumediene, de 42 anos, que foi libertado e viajou para a França no mês passado, após dois anos de greve de fome.

Preso em 2001 junto com outros cinco argelinos na Bósnia, onde residia legalmente, Boumediene foi entregue às autoridades americanas sob suspeita de ter organizado um atentado contra uma embaixada dos Estados Unidos em Sarajevo. Pouco depois, foi transferido para Guantánamo, logo que a prisão foi inaugurada na base americana em Cuba, em 2002.

Boumediene pensou na época que sua prisão não duraria muito tempo, por se tratar de um erro, uma vez que até as autoridades bósnias já haviam anulado as acusações que constavam contra ele.

"Achei que os Estados Unidos, um grande país que tem a CIA, o FBI (...) se daria conta, talvez após uma ou duas semanas, de que eu era inocente e podia voltar para casa", contou à ABC News.

Ao invés disso, no entanto, o argelino foi mantido acordado por 16 dias e submetido a violência física por várias vezes. Perguntado pela ABC se acreditava ter sofrido tortura, respondeu: "Não acho, tenho certeza disso".

Entre outras coisas, Boumediene descreveu como o levantaram de uma cadeira segurando-o pelas axilas enquanto seus pés permaneciam acorrentados ao chão, e como o obrigaram a correr com alguns guardas até ser arrastado por eles quando já não aguentava mais ficar em pé.

Boumediene foi autorizado a se instalar com sua família na França, que se tornou o primeiro país da União Europeia a receber um ex-detento de Guantánamo que não era seu residente ou cidadão.

jm/ap

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