A região de Maule, no centro do Chile, atingida por tsunamis após o terremoto de magnitude 8,8 que afetou o país no último sábado, registra pelo menos 586 mortos e concentra, até agora, o maior número de vítimas fatais do desastre. O Escritório Nacional de Emergência (Onemi, na sigla em espanhol) informou nesta terça-feira que subiu para 795 o total de mortos no terremoto e nos tsunamis que atingiram o Chile.


Entretanto, segundo as autoridades chilenas, é cedo para dizer se as ondas gigantescas, que teriam superado os 18 metros, foram mais arrasadoras do que os tremores de terra, já que essa avaliação só será possível depois do fim dos resgates.

"Muitos morreram com as ondas, mas ainda não sabemos quantos. Os que tiveram tempo correram para os morros próximos e se salvaram", dizem as autoridades na Onemi.

'Erro'

Um assessor da Onemi, com sede em Santiago, disse a BBC Brasil que o número de vítimas no Chile "vai subir mais, porque somente agora muitas equipes de socorro conseguiram chegar às áreas atingidas pelos tsunamis".

Especialistas chilenos afirmam que, por conta da experiência com terremotos anteriores, muitos habitantes do país já sabem que tsunamis costumam surgir logo após os terremotos.

Mas a confusão em torno da informação sobre a possibilidade de um tsunami levou muitos moradores a ficarem em casa, sem escapar para algum lugar mais alto ou longe das águas.

"Aqui houve um erro da Marinha, que não fez o alerta correspondente", disse o ministro da Defesa, Francisco Vidal.

Haiti

A prefeita da cidade de Concepción - a segunda mais populosa do país e uma das mais afetadas pelos tremores -, Jacqueline Van Rysselberghe, voltou a criticar a "lentidão" das operações de socorro.

"Nossa cidade foi destruída. Na hora de ajudar o Haiti fomos rápidos. Mas já estamos no quarto dia desta tragédia e continuamos numa situação de indefinições", afirmou.

O ministro da Saúde, Álvaro Erazo, percorreu a área de Concepción nesta terça-feira. Segundo ele, os hospitais também foram afetados pelos tremores, o que dificulta ainda mais os trabalhos de ajuda. Somente nesta cidade, mais de 60 pessoas foram presas nas últimas horas por saques ou outros delitos, o que causou uma nova ampliação do toque de recolher.

Em Concepción e outras localidades atingidas pelo terremoto, continuam chegando mais soldados do Exército enviados por determinação da presidente Michelle Bachelet. Mais cedo, a presidente afirmou que será usada "a força da lei" contra os "grupos de delinquentes".

O governo e o Exército definiram que a entrega de caixas de alimentos, que começa nesta terça-feira, será feita de casa em casa e os generais que comandam as operações dizem que as pessoas devem estar em suas residências.

"Todos serão atendidos, mas em suas casas. O toque de recolher deve ser respeitado", disse o chefe da Defesa Nacional para o Estado de Catástrofe, general Guillermo Ramírez.


*Com EFE, Reuters e BBC

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