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Área londrina declara independência para barrar arranha-céu

Moradores de uma pequena área em Londres estão clamando independência para barrar um projeto de construção de prédios modernos em um local que eles dizem ser de proteção da cultura e do patrimônio arquitetônicos. Em vez de espadas e baionetas, eles estão armados com documentos que comprovariam que a área não está sob a jurisdição da autoridade local, acusada de interesses financeiros na concessão da área.

BBC Brasil |

Os vizinhos dizem que a área pertence a uma categoria de unidade administrativa que se acreditava praticamente extinta desde o fim do século 19.

A disputa gira em torno da paróquia civil de Norton Folgate, em Shoreditch, leste de Londres, que poderia abrigar um empreendimento de quase US$ 1,5 bilhão. O complexo consistiria de uma moderna torre de 50 andares com escritórios, hotéis e estacionamentos.

Para isso, seria preciso destruir um prédio vitoriano onde funcionou a estação de energia que, a partir dos anos 1890, gerou eletricidade para a vizinha estação de trens de Liverpool Street. Hoje, o prédio reformado abriga um bar chamado The Light.

Os moradores querem impedir a obra alegando que Norton Folgate ainda é uma liberty, unidade administrativa medieval que, por razões normalmente relacionadas com a propriedade da terra, mantinha independência dentro do tradicional sistema administrativo inglês.

Pertencente à Igreja, as terras passaram às mãos da Coroa britânica durante a Reforma Protestante, no século 16, mas Norton Folgate manteve seu caráter de liberty.

Acreditava-se que o status havia sido perdido em 1900, mas os moradores dizem ter descoberto novos documentos que comprovariam que o status ainda se mantém.

Emaranhado legal
O reconhecimento tiraria da autoridade que analisa o projeto - a subprefeitura de Hackney - a competência para decidir sobre a área, empurrando a questão para dentro de um emaranhado legal.

"Não sabemos ainda qual é a situação, nossa equipe de consultores legais está trabalhando no tema", disse Jennifer Webber, porta-voz da campanha Save The Light, à BBC Brasil.

"Até então, acreditávamos que a área pertencia à jurisdição de Hackney, mas a nova documentação sugere que a área pode ser, na verdade, independente."
Grupos comunitários e de arquitetos dizem que o prédio histórico não atrapalha a obra, e que a subprefeitura tem "interesses financeiros" em permitir a expansão do estilo moderno da City - o distrito financeiro de Londres, com seus arranha-céus e prédios de última geração - para determinadas áreas históricas da vizinhança.

"Não somos contra o desenvolvimento positivo, desde que seja equilibrado e respeite o antigo", dizem os grupos em um manifesto entregue à imprensa.

O texto acrescenta que há um "conflito de interesses" no fato de caber à subprefeitura dar sinal verde à obra e ser a principal beneficiária dos proventos.

Uma decisão sobre o projeto da construtora Hammerson, uma das maiores da Europa, foi adiada desde o início do ano até que terminem as consultas em torno do caráter histórico da área.

Um comitê indicado pela subprefeitura está analisando se o bar The Light deve ou não fazer parte da área de proteção cultural da região.

Segundo o Save The Light, mais de 6 mil pessoas já assinaram uma petição online para "salvar" o prédio.

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