Árabe eleitor do Likud diz ter orgulho de Israel

Alam Alam é um caso raro: árabe cristão em Israel, onde 76% da população é judia, ele afirma ter orgulho de ser cidadão israelense.

BBC Brasil |

Ainda mais surpreendente, Alam é eleitor do partido nacionalista de direita Likud, liderado pelo ex-primeiro-ministro Benyamin Netanyahu.

Nesta semana, Alam enfeitou seu restaurante com bandeiras do país. Nesta quinta-feira, quando Israel celebra 60 anos, ele levará a família para fazer um churrasco ao ar livre, conforme o costume israelense.

"Sou israelense. Este é o meu país. Aqui eu vivo bem e tranqüilo com a minha família. Você acha que todos os árabes falam mal de Israel? Aqui na minha região não é assim", disse Alam à BBC Brasil.

"Os críticos são os mais velhos, que têm muita ligação com a terra e não tiveram contato com judeus. Hoje, em Israel, não há diferença entre árabes e judeus. Os avanços sociais chegam para todos", afirma, desafiando as estatísticas e o sentimento de discriminação manifestado pela maioria dos mais de 1,4 milhão de árabes que vivem em Israel, ao lado de 5,5 milhões de judeus.

Segundo números recentes da organização Adva, uma importante ONG de luta por igualdade em Israel, o desemprego geral no país caiu de 10,7% em 2003 para 7,3% em 2007. Mas, entre os árabes, o índice continua em 10,9%.

Outra estatística do grupo mostra que os árabes representam 62,5% dos desempregados que ficam mais de 52 semanas sem trabalho. Em geral, os salários desta minoria são entre 15% e 20% mais baixos do que os rendimentos dos judeus.

"A situação econômica não está fácil, mas não há miséria. Mas eu sei que aqui meus filhos têm educação estatal, e os mais velhos recebem ajuda do governo. Em muitos países árabes, não é assim."

Vida na Galiléia

Alam, de 38 anos, vive na região da Galiléia, norte de Israel, com a mulher, Lora, a filha, Amal, de 13 anos, e o filho Ibrahim, de 10.

Administra o "Lial Beirute", um aconchegante e movimentado restaurante de comida libanesa - a mesma origem de sua família. A maioria da clientela é de judeus.

Ele afirma não se importar se os filhos quiserem servir o Exército israelense, mesmo com o risco de terem de enfrentar outros árabes. "A decisão será deles quando chegarem aos 18 anos. Mas, se quiserem, para mim não há problema se decidirem defender nosso país."

A família de Alam, que é cristã maronita, foi separada entre Líbano e Israel com a criação das fronteiras modernas do Oriente Médio, na década de 40.

Mas ele afirma que não tem mais contato com os parentes no país vizinho e inimigo e que se identifica mais com os israelenses do que com qualquer árabe do Oriente Médio.

"Estive na Jordânia algumas vezes. Eu me senti totalmente estrangeiro. Fiquei comparando a situação do povo de lá com a da população de Israel, incluindo os árabes. Aqui é melhor."

Alam também é um crítico dos palestinos, que lutam pela criação de um Estado independente ao lado de Israel.

"Israel assinou diversos acordos de paz e de repente eles (os palestinos) começaram a jogar pedras e a explodir ônibus. Se os palestinos não tivessem usado a violência, matando inocentes, talvez o que chamam de racismo contra os árabes em Israel não existisse", afirma.

"Eles têm líderes que usam a violência e brigam pelo poder. Há também muita traição interna. Sempre aparece um grupo novo prometendo maravilhas. Isso provoca uma sensação de vazio no povo, um sentimento de desconfiança contínua e de que não há futuro."

Voto no Likud

Na política israelense, Alam conta que vota no Likud, partido de onde saíram líderes de direita odiados no mundo árabe, como Ariel Sharon.

"O Likud é o único partido que fez paz. Menachem Beguin assinou o tratado com Anwar Sadat, e até hoje há paz entre Israel e o Egito. Quanto sangue deixou de ser derramado graças ao acordo? É por isso que voto nesta legenda: minha visão política vai de acordo com minha posição moral."

Para Alam, o maior valor de Israel é a democracia. "Não tenho medo de falar a favor de Israel e de criticar árabes. Vivo em um país democrático e vivo pelo país. Falo isso em qualquer lugar. Diria até mesmo no Parlamento palestino."

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