Aquino desponta como novo presidente das Filipinas

Herdeiro de dinastia lidera com 40% dos votos; jornada eleitoral foi marcada por violência e falhas nas seções eleitorais

iG São Paulo |

AFP
Triciclo filipino roda por Manila, capital das Filipinas, decorado com cartaz do candidato à presidência Benigno "Noynoy" Aquino
Em eleições presidenciais marcadas pela falhas técnicas e violência, com pelo menos nove mortos, Benigno Aquino desponta nesta segunda-feira como o vencedor nas Filipinas, de acordo com os primeiros dados da apuração divulgados pela Comissão Eleitoral (Comelec).

Com 38% dos votos apurados, o herdeiro da dinastia dos Aquino lidera a corrida pela chefia de Estado com 40% dos votos, seguido do presidente deposto Joseph Estrada, com 25,76%, e do senador Manny Villar, com 14%.

O líder na apuração é filho de Benigno Aquino, mártir da democracia assassinado em 1983, e de Corazón Cojuangco, a primeira presidente após a ditadura de Ferdinand Marcos. Com o lema "quando não há corrupção não há pobreza", ele despertou uma inesperada paixão entre milhões de eleitores.

Os atos de maior violência da jornada eleitoral aconteceram na ilha de Mindanao , no sul do país, onde duas pessoas morreram num tiroteio entre partidários de dois candidatos rivais. Em outro tiroteio, também em Mindanao, três aliados de um candidato a prefeito morreram e dez ficaram feridos. As outras vítimas estavam na Província de Cotabato do Norte, onde houve um morto e um ferido; na Província de Lanao do Sul, na qual uma pessoa morreu; e na ilha de Palawan, que teve um morto e vários feridos.

As medidas especiais tomadas pela Comissão Eleitoral (Comelec), que colocou sete zonas de conflito sob seu controle direto, revelaram-se insuficientes para conter a violência, crescente em muitas partes do arquipélago, onde estão misturadas guerrilhas islâmicas, comunistas e dos Exércitos particulares de líderes locais.

Além da habitual violência, houve os problemas técnicos causados do novo sistema eletrônico, que obrigaram a Comelec a ampliar o horário da votação em uma hora. As falhas técnicas e a escassez de máquinas obrigaram alguns eleitores a esperar mais de seis horas para votar.

Outros se queixaram de que seus nomes não estavam inscritos no censo. O próprio senador Benigno "Noynoy" Aquino, o candidato favorito nas pesquisas, teve de esperar mais de quatro horas para votar em seu distrito, na Província de Tarlac, ao norte de Manila. Muitos eleitores optaram por preencher as cédulas e dá-las a funcionários da Comelec para que as colocassem na máquina.

AFP
Corpo de vítima e duas armas são vistos em cena de tiroteio nas Filipinas no dia da eleição
Os maiores contratempos foram em 11 cidades do sul do país, onde a Comelec estuda suspender as eleições e voltar a realizá-las em outra data. A Comelec insiste que se trata de fatos isolados e assegurou que o sistema funciona corretamente em quase todo o arquipélago.

A Smartmatic, empresa que fabrica as urnas eletrônicas, indicou que 328 dos mais de 76 mil aparelhos tiveram problema, sendo a maioria substituída. Apesar dos obstáculos, a Comelec afirma que nesta segunda-feira divulgará um resultado provisório em seu site com 70% dos votos apurados e espera ter os dados definitivos em até 48 horas.

Todas as pesquisas de opinião concedem a vitória a Aquino, que tem 22 pontos percentuais de vantagem sobre o rival, o ex-presidente Joseph Estrada, deposto em uma revolta popular pacífica em 2001. Em terceiro lugar aparece o senador Manny Villar, magnata do setor imobiliário que começou a campanha empatado com Aquino graças a uma grande campanha de propaganda e a seu discurso populista, mas que perdeu força na reta final por escândalos de corrupção.

Poucos analistas políticos acreditam que Estrada e Villar possam atrapalhar o filho de Ninoy Aquino, mártir da democracia assassinado em 1983, e de Corazón Cojuangco, primeira presidente após a ditadura de Ferdinand Marcos. Todos os candidatos reiteraram durante a campanha que é preciso solucionar a pobreza e a corrupção, num país em que 44% da população vive com menos de US$ 2 por dia.

*Com EFE e BBC

    Leia tudo sobre: Filipinaseleições

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG