Aquecimento global pode ser ainda pior que o previsto

Ao que tudo indica, os alertas sobre as devastações que o aquecimento global pode provocar não foram suficientemente precisas, alerta um dos principais especialistas na matéria.

AFP |

Há apenas um ano o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Cimáticas (IPCC) publicou um relatório impactante com advertências sobre a alta do mar, expansão dos desertos, tempestades mais intensas e extinção de mais de 30% das espécies de plantas e animais do planeta.

Mas estudos recentes do clima sugerem que o relatórios subestimou consideravelmente o potencial da gravidade do aquecimento global para os próximos 100 anos, alerta um integrante do próprio painel.

"Nós temos dados agora que mostram que de 2000 a 2007, as emissões de gases do efeito estufa aumentaram de maneira mais rápida que nós esperávamos", afirmou Chris Field, que foi um dos coordenadores do relatório do IPCC.

"Isto aconteceu basicamente porque países em desenvolvimento como China e Índia viram um aumento da demanda pela geração de energia elétrica, quase toda ela baseada em carvão", acrescentou Field em um discurso durante a conferência da Associação Americana para o Avanço da Ciência (AAAS).

Sem uma ação decisiva para reduzir o aquecimento global, temperaturas mais altas podem secar as florestas tropicais e acelerar o derretimento da tundra do Ártico, o que pode liberar bilhões de toneladas de dióxido de carbono que permaneceram armazenadas por milhares de anos.

Isto pode aumentar ainda mais as temperaturas e criar um círculo vicioso que pode sair de controle ao fim do século, nas palavras de Field.

"Nós não queremos cruzar um limite no qual esta liberação maciça de carbono comece a acontecer no piloto automático", declarou Field, professor de biologia da Universidade de Stanford.

A quantidade de carbono que pode ser liberada é estarrecedora.

Desde o início da Revolução Industrial, a estimativa é de que 350 bilhões de toneladas de dióxido de carbono (CO2) foram liberados por meio da queima de combustíveis fósseis.

A nova estimativa sobre a quantidade de carbono armazenada no permafrost - solo do Ártico - fica por volta de um bilhão de toneladas. E o Ártico é a região do planeta que registra o aquecimento mais rápido segundo os cientistas.

mso/fp/nh/

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