Aquecimento global aumenta malária, enchentes e desnutrição, diz OMS

MANILA, Filipinas - A Organização Mundial de Saúde (OMS) alertou nesta segunda-feira que milhões de asiáticos podem ter que enfrentar pobreza, doenças e fome devido ao aumento da temperatura e das chuvas que será mais prejudicial aos países pobres.

AP |

Malária, diarréia, desnutrição e enchentes causam cerca de 150 mil mortes anualmente, das quais mais da metade ocorre na Ásia, afirmou o diretor regional da OMS Shigeru Omi.

Mosquitos portadores do vírus da malária representam um sinal claro de que o aquecimento global começou a atingir a saúde humana, principalmente ao serem encontrados em climas mais amenos como a Coréia do Sul e nas terras altas de Nova Guiné, onde não existiam anteriormente, ele disse.

Segundo afirmou aos repórteres em Manila, o clima mais quente encurta o ciclo reprodutivo dos mosquitos e permite que eles se multipliquem muito mais rápido, gerando uma ameaça ainda maior de doenças.

O número excepcionalmente alto de casos de dengue na Ásia, outra doença transmitida por mosquitos, pode ter sua origem no aumento das temperaturas, mas ainda é necessário efetuar alguns estudos para comprovar a relação entre a mudança no clima e a dengue.

"Se não houver alguma ação urgente através de uma mudança nos hábitos de vida humanos, os efeitos deste fenômeno no sistema climático global podem ser abruptos e irreversíveis, atingindo todos os países e causando ondas de calor, tempestades, ciclones e aumento do nível do mar", afirmou Omi.

Nas ilhas Marshall ou no Sul do Pacífico, o nível do mar já atingiu terras baixas, inundando terras cultiváveis e causando um fluxo migratório para a Nova Zelândia e Austrália, disse.

Segundo Omi, os países mais pobres com menos recursos e sistemas de saúde débeis sofrerão mais pois já enfrentam desnutrição. Seus jovens, mulheres e idosos correm mais riscos.

Ele disse ainda que padrões de clima pouco comuns e inesperados - excesso ou falta de chuva - têm impacto na produção de comida, especialmente em colheitas irrigadas, como arroz, e podem causar desemprego, instabilidade econômica e agitação política.

Dr. John Ehrenberg, consultor da OMS sobre malária e doenças parasitas, afirmou que a mudança climática combinada com subdesenvolvimento humano têm contribuído para o problema. Isso inclui desflorestamento e fluxo migratório humano sem precedentes. Pessoas que mudam levam doenças com elas.

Omi afirmou que os governos precisam reforçar e reformar os atuais sistemas, incluindo água, imunização, prevenção de doenças, controles de mosquitos e preparo para desastres de grande porte.

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