Aquecimento climático: G8 encontram dificuldades para cumprir suas metas

Os membros do G-8 (Grupo dos oito países mais industrializados do mundo) estão tendo dificuldades para cumprir suas metas de luta contra o aquecimento climático, segundo um estudo que está sendo publicado nesta quinta-feira, e que atribui, no entanto, algumas notas positivas ao Reino Unido, à França e à Alemanha, e pontos negativos aos cinco outros membros do grupo - Estados Unidos, Itália, Canadá, Japão e Rússia.

AFP |

A divulgação do estudo, realizado pela Ecofys, uma agência independente, a pedido do Fundo Mundial para a natureza (WWF) e do banco alemão Allianz, antecede a Cúpula do G8 (Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Grã-Bretanha, Itália, Japão e Rússia), no Japão de 7 a 9 de julho.

Segundo o estudo da Ecofys, os membros do G8 devem reduzir sua emissão de gases em pelo menos 80% em relação a 1990, até 2050, para limitar a 2ºC o aquecimento do planeta até lá.

"Os resultados mostram que nenhum dos principais países industrializados está conseguindo atingir as metas de reduções destinadas a manter o quadro de um aquecimento de 2ºC", segundo Regine Günther, uma responsável do WWF na Alemanha.

A Grã-Bretanha, a França e a Alemanha fizeram mais avanços em matéria de redução das emissões de CO2, mas estes países correm o risco, no entanto, de ver seus níveis de emissão aumentar nos próximos anos, segundo o estudo.

As emissões britânicas de gás já respondem às metas do Tratado de Kyoto devido à utilização crescente de gás natural em detrimento do carvão, mas um novo recurso ao carvão para a produção de energia gera o risco de novos aumentos, segundo o estudo.

A França realiza um bom trabalho em matéria de emissões de gases em relação a sua população e a seu PIB, principalmente em razão dos recursos à energia nuclear, mas os projetos ambiciosos anunciados para o longo prazo ainda não foram realizados.

A Alemanha recebeu uma boa nota pela promoção de energias renováveis, mas seus projetos de novas centrais elétricas a carvão colocam em questão seu compromisso em diminuir suas emissões de 40% até 2020.

O Japão e a Itália conseguiram avanços, mas ainda insuficientes para cumprir o contrato do Protocolo de Kyoto, segundo o estudo.

Rússia, o Canadá e os Estados Unidos estão com nota muito baixa, com as estimativas do estudo apontando para um aumento das emissões de CO2.

Os EUA, últimos no estudo comparativo, afirmaram que o G8 não é o quadro apropriado para estabelecer uma meta precisa de luta contra a mudança climática.

O Protocolo de Kyoto obriga os países industrializados assinantes a reduzir os gases de efeito estufa até 2012, mas prevê soluções flexíveis para atingir este objetivo, entre elas a compra de créditos de carbono ("direitos de poluir") por Estados ou empresas que não conseguem respeitar seus compromissos. A importância deste protocolo foi reduzida com a recusa dos EUA em ratificá-lo.

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