Apuração parcial aponta Parlamento controlado por comunistas na Moldávia

Moscou, 30 jul (EFE).- Os comunistas parecem conservar o controle do Parlamento da Moldávia, embora dificilmente poderão escolher o presidente do país, segundo os resultados parciais anunciados hoje pelas autoridades.

EFE |

Após a apuração de 22% das urnas, o governante Partido dos Comunistas obtém 50,4% dos votos, informou o presidente da Comissão Eleitoral Central (CEC), Yurie Ciocan, à agência de notícias russa "RIA Novosti".

Além do PC, o Legislativo terá quatro legendas da oposição liberal e centrista, partidários da aproximação ao Ocidente, que juntos obtêm 45% dos votos.

Segundo a apuração, o Partido Democrático Liberal (PDL) tem 14,1%, o Democrático (PD) 13%, o Liberal (PL) 10,5% e a Aliança Nossa Moldávia (ANM) 7,4%.

Se confirmados os resultados, que diferem substancialmente dos de uma pesquisa de boca-de-urna divulgada após o fim da votação, o PC pode obter 52 das 101 cadeiras necessárias para formar Governo sozinho.

Mas os comunistas não conseguiriam as 61 cadeiras necessárias para escolher no Parlamento o presidente do país, e o novo Legislativo pode ser dissolvido, como ocorreu com o anterior, escolhido em abril em meio a violentos distúrbios.

Segundo a Constituição, caso o novo Legislativo não consiga escolher o chefe de Estado, outras eleições extraordinárias poderão ser realizadas para dentro de um ano, prazo em que Moldávia seguiria sendo governada pelo atual presidente, o comunista Vladimir Voronin.

A pesquisa de boca-de-urna dava ao PC, que governa a Moldávia há oito anos, 43 das 101 cadeiras parlamentares, enquanto as quatro legendas da oposição acumulariam juntas 58 deputados e, caso mantenham sua aliança, poderiam formar Governo.

O presidente rejeitou os resultados da pesquisa, que tachou de "pago" pela oposição para "enganar o povo", enquanto expressou a esperança de que não haverá denúncias de fraude e protestos violentos como o de abril passado.

No Parlamento anterior, os comunistas ficaram a um voto dos 61 necessários para escolher o presidente, devido ao boicote dos três partidos opositores com cadeiras: PDL, PL e ANM.

Após as eleições de abril, a oposição denunciou fraude e chamou seus partidários a protestar na capital, Chisinau, manifestações que em 7 de abril geraram violentos choques com a Polícia e o saque da sede do Parlamento e da residência presidencial.

Voronin responsabilizou a oposição e Bucareste pelo que chamou de "golpe anticonstitucional", já que muitos manifestantes exigiam a reunificação com a Romênia e levavam suas bandeiras, expulsou o embaixador do país vizinho e impôs vistos a seus cidadãos.

O presidente da Moldávia, país mais pobre da Europa, encravado entre Ucrânia e Romênia e economicamente dependente da Rússia, defende a entrada na União Europeia (UE), mas dá prioridade a uma "relação estratégica" com Moscou e rejeita a adesão à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

A oposição liberal, marcadamente pró-ocidental e apoiada pela população urbana e a juventude, denuncia o autoritarismo, os abusos e a corrupção dos comunistas, reivindica mudanças e promove uma política de decidida integração euro-atlântica.

Os comunistas, apoiados pelo campo, os setores mais pobres e os idosos nostálgicos da antiga URSS, durante a campanha acusaram a oposição de buscar o desaparecimento do Estado moldávio a partir de sua reunificação com a Romênia, da qual a Moldávia fez parte até 1940.

Cerca de 800 mil dos 4,5 milhões de habitantes da Moldávia obtiveram ou solicitaram a nacionalidade romena para poder viajar à UE, enquanto outros 600 mil, em idade ativa, ganham a vida em países como Rússia, Espanha, Itália e Portugal e não votam.

O presidente da CEC afirmou hoje que "a votação transcorreu tranquilamente e sem irregularidades substanciais", opinião que deverá ser ratificada por observadores internacionais, que validaram o último pleito. EFE se/rr

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG