Apuração das eleições italianas começa pelo Senado

Roma, 14 abr (EFE).- A apuração dos votos dos italianos começou pelo Senado, informou o Ministério do Interior, que uma hora e meia após o fechamento das seções eleitorais ainda não havia divulgado o percentual de participação popular, que deve superar 80%.

EFE |

Espera-se que a contagem seja lenta, como já tinha afirmado o ministro do Interior italiano, Giuliano Amato.

As pesquisas de boca-de-urna mostram quase um empate entre os candidatos a primeiro-ministro, já que o conservador Silvio Berlusconi (PDL, Povo da Liberdade) está entre dois e três pontos percentuais na frente do progressista Walter Veltroni (PD, Partido Democrata).

Há dois anos as mesmas enquetes deram uma vantagem de cinco pontos a Romano Prodi sobre Berlusconi, mas a diferença final foi de menos de 25 mil votos na Câmara dos Deputados.

A lentidão na apuração acontece, entre outras razões, pela complexidade da votação, com cédulas diferentes para Câmara e Senado.

A eventualidade de uma vantagem mínima traz novamente o fantasma de instabilidade para a formação do Governo, por causa da peculiar lei italiana e de seu complexo sistema de maiorias, prêmios e repartições.

A atual lei eleitoral foi aprovada pelo Governo de Berlusconi faltando menos de seis meses para as últimas eleições, em abril de 2006, pois ele estava convencido de que isto garantiria sua reeleição. No entanto, suas previsões estavam erradas e o triunfo ficou com seu adversário, Romano Prodi.

O sistema eleitoral na Itália, onde o voto é obrigatório por força constitucional, mas não exercê-lo não leva a sanção alguma, opta pelas listas fechadas e garante ao vencedor a maioria absoluta na Câmara dos Deputados, com um prêmio de maioria que lhe dá um mínimo de 340 cadeiras, 54% do total.

A oposição conquista no máximo 277 cadeiras e as restantes são distribuídas segundo o voto dos italianos no exterior.

Para conseguir representação na Câmara dos Deputados são necessários 10% dos votos em caso de coalizão e cada um de seus partidos precisa de, pelo menos, 2% para entrar na distribuição de cadeiras. As legendas que concorrem sozinhas têm de obter ao menos 4% dos votos.

Para o Senado, onde só podem votar as pessoas com mais de 25 anos, são necessários 20% dos votos para coalizões, 3% para suas legendas e 8% para os partidos que concorrem sozinhos. No entanto, ao contrário do que acontece na Câmara dos Deputados, o vencedor recebe um prêmio de maioria que é dividido por regiões.

A lei eleitoral é tão polêmica que, após as eleições, os partidos começaram a negociar um novo sistema, enquanto um comitê de representantes da centro-esquerda e da centro-direita recolheu meio milhão de assinaturas para convocar um plebiscito sobre sua reforma em três pontos.

O presidente da Itália, Giorgio Napolitano, encarregou o presidente do Senado de explorar a possibilidade de formar um Executivo com o único objetivo de reformar a lei eleitoral, após a queda do primeiro-ministro Romano Prodi em fevereiro.

No entanto, Berlusconi, indicado pelas pesquisas como vencedor do pleito, se negou a modificá-la. EFE alg/wr/fal

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG