Argel, 28 abr (EFE) - A comissão cultural encarregada de concretizar o projeto da Biblioteca/Centro de Pesquisa América do Sul-Países Árabes aprovou hoje seus estatutos após três dias de reunião na capital argelina, informaram à Agência Efe fontes ligadas ao projeto.

Os estatutos foram estipulados pelos representantes de Brasil, Argélia, Marrocos, Liga Árabe, Venezuela e Argentina reunidos em Argel.

A biblioteca terá como objetivo principal divulgar e proteger o patrimônio da cultura árabe-sul-americana, promover a pesquisa acadêmica e potenciar a cooperação e os intercâmbios culturais entre os países de ambas as regiões do planeta.

A Argélia assumirá a construção da biblioteca, com um investimento de cerca de 250 milhões de dinares (US$ 3,9 milhões), sobre uma superfície de 5 hectares na localidade litorânea de Zeralda, cerca de 40 quilômetros ao oeste de Argel.

Sua construção foi confiada à Agência de Realização de Grandes Projetos Culturais, criada recentemente pelo Ministério de Cultura argelino, e as obras devem começar em 2009.

O projeto surgiu na Cúpula dos Países Árabes e da América do Sul realizada em 2005 em Brasília - por iniciativa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva,- e foi ratificado no ano passado durante uma reunião ministerial em Buenos Aires.

No total, 24 países da Liga Árabe participam do projeto e 12 da América do Sul, mas a comissão encarregada de concretizá-lo tem uma composição menor.

O consultor jurídico da Biblioteca Nacional da Venezuela, José Giovanni Márquez, explicou à Efe que os estatutos do projeto prevêem ainda a criação de uma base de dados bibliográficos comuns e o fomento da troca entre as diferentes bibliotecas dos países-membros.

Além disso, a biblioteca árabe-sul-americana, que passará a ser conhecida como Biblio-Aspa (América do Sul e países árabes), promoverá as investigações e a troca de experiências entre as universidades e os centros acadêmicos dos países-membros.

Também está prevista a criação de uma biblioteca virtual na internet e buscar fórmulas para empréstimos de livros ou para dividir cursos de formação bibliográfica.

O financiamento do equipamento material e humano da biblioteca ficará a cargo dos Estados-membros, que nomearão também um Conselho de Administração, encarregado de aprovar doações e legados à instituição.

O Conselho nomeará o diretor-geral da biblioteca, que provavelmente será um destacado representante da cultura argelina, e elegerá um Conselho Consultivo Acadêmico com um mandato de quatro anos.

Dentro de dois meses será realizada uma nova reunião com categoria ministerial, provavelmente no Brasil, para concretizar os custos orçamentários do projeto e se espera sua aprovação definitiva na Cúpula Árabe-Sul-Americana do Catar, em novembro.

O embaixador venezuelano na Argélia, Michel Mujica, disse à Efe que se trata de "um projeto muito ambicioso, que representará um passo decisivo para a aproximação cultural entre o mundo árabe e a América do Sul e para a difusão das manifestações bibliográficas de ambas as culturas". EFE jg/db

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.