Aprovada a Declaração final da Conferência da ONU sobre racismo

Os participantes da Conferência da ONU sobre o racismo aprovaram antecipadamente nesta terça-feira sua Declaração final, temendo novos abandonos de representantes no dia seguinte ao escândalo provocado pelas críticas contra Israel proferidas pelo presidente do Irã, Mahmud Ahmadinejad.

AFP |

O projeto de Declaração final foi aprovado por aclamação na tarde desta terça-feira, três dias antes do previsto. O texto a princípio devia ser aprovado na sexta-feira, último dia da Conferência dita de Durban II, organizada oito anos depois da Conferência de Durban, na África do Sul.

O presidente da conferência, Amos Wako, saudou uma "decisão capital".

"Os diplomatas decidiram acelerar o processo de aprovação para impedir que outros países cedessem à tentação de abandonar a conferência depois do que aconteceu na segunda-feira", explicou um diplomata sul-americano, que não quis ser identificado.

"Havia o temor de que outras nações se retirassem, mas houve uma vontade de todos os países de dizer à comunidade internacional que não deixaríamos ninguém desviar a conferência de seu objetivo principal", comentou o embaixador egípcio, Hisham Badr.

"A aprovação da Declaração final é nossa resposta ao discurso antissemita de Ahmadinejad", declarou a Alta Comissária da ONU para os Direitos Humanos, Navy Pillay.

"O fato de o documento ter sido aprovado por todos os países menos nove é nossa resposta a Ahmadinejad", afirmou, qualificando a Conferência de Durban II de "sucesso".

"O texto foi aprovado, evidenciando o fracasso do presidente iraniano em transformar o evento em uma tribuna do ódio", destacou, por sua vez, o ministro francês das Relações Exteriores, Bernard Kouchner.

Segunda-feira, o início da conferência foi perturbado pelos ataques anti-israelenses de Ahmadinejad, que levaram as delegações dos 23 países europeus presentes a deixarem o recinto dos debates.

Temendo os discursos inflamados do presidente iraniano, muitos países tinham desistido de participar da conferência antes mesmo de sua abertura. Na noite de segunda-feira, a República Tcheca, presidente em exercício da União Europeia, foi a última a anunciar sua desistência, unindo-se assim aos Estados Unidos, a Israel, à Austrália, ao Canadá, à Alemanha, à Itália, à Holanda e à Polônia.

Nesta terça-feira, a ONU multiplicou os esforços para juntar os cacos depois deste primeiro dia desastroso, e insistiu na importância de aprovar um texto que obteve um amplo consenso sexta-feira durante a última reunião preparatória.

Segunda-feira, Navy Pillay tinha exortado os países a não deixarem o presidente iraniano minar a conferência, destacando que "sexta-feira, 189 Estados finalmente chegaram a um consenso sobre um projeto de declaração final", após meses de discussões.

A versão final do texto foi expurgada de todos os pontos de divergência entre os participantes. O parágrafo sobre a memória do Holocausto foi mantido, provocando a irritação do Irã.

O documento também reafirma a Declaração e Programa de Ação de Durban (DDPA) de 2001, que os Estados Unidos tinham se recusado a aprovar.

A DDPA inclui dois parágrafos sobre o conflito israelense-palestino que Washington contesta, assim como o que trata do "destino do povo palestino que vive sob ocupação estrangeira", no capítulo dedicado às "vítimas do racismo".

Apesar de a Declaração final ter sido aprovada nesta terça, a conferência continua até sexta-feira.

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