Aprovação no Senado é primeiro passo para renúncia de Berlusconi

Com possível votação na Câmara amanhã, expectativa é que premiê italiano formalize renúncia no fim de semana; sucessor pode ser Monti

iG São Paulo |

O Senado italiano adotou nesta sexta-feira um pacote de medidas de austeridade exigida pela União Europeia (UE) para superar a crise econômica e reduzir a colossal dívida pública da terceira maior economia da zona do euro. Espera-se que o pacote receba aprovação final na Câmara Baixa durante o fim de semana, possivelmente sábado, abrindo caminho para a renúncia do primeiro-ministro Silvio Berlusconi.

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Na terça-feira, o premiê italiano prometeu deixar o poder assim que a medida fosse aprovada pelo Parlamento. A decisão pela renúncia foi tomada após uma reunião de uma hora com o presidente Giorgio Napolitano, que aconteceu logo após o Orçamento ter sido aprovado por 308 votos, oito a menos do que a maioria absoluta de 316, em uma votação que contou com 321 abstenções. A perda da maioria aumentou a pressão sobre Berlusconi .

Um governo tecnocrata, possivelmente liderado pelo ex-comissário da UE Mario Monti , está sendo considerado.

O plano de ajuste, aprovado por 156 votos a favor, 12 contrários e uma abstenção, inclui a venda de ativos públicos, a reforma do sistema previdenciário, a privatização de empresas públicas e a simplificação da administração pública. Também fixa medidas para estimular o emprego e o aumento do crescimento econômico, quase nulo nos últimos anos.

Os senadores do Partido Democrático (PD), o maior de esquerda, juntamente com os moderados reunidos no Terceiro Polo, optaram pela abstenção como gesto de responsabilidade. O pacote de medidas não inclui uma reforma dos contratos de trabalho para facilitar as demissões, que havia sido criticada pelos sindicatos.

Mercados nervosos

Na quinta-feira, Napolitano - cujo papel é amplamente cerimonial - disse esperar "eliminar qualquer dúvida ou incompreensão" sobre quando Berlusconi cumprirá sua promessa de sair do poder. Os líderes italianos estão desesperados para indicar que podem deixar as finanças do país sob controle e vêm agindo rápido pela sucessão.

Monti, um economista muito respeitado, é exatamente o tipo de homem que o mercado gostaria de ver no poder nesse momento de crise, segundo avaliação da BBC. O presidente da Itália, Giorgio Napolitano, nomeou na quarta-feira Monti como senador vitalício, num sinal de que deve convidar o acadêmico para tentar formar nos próximos dias um governo de base ampla.

Se a Cãmara aprovar o pacote no sábado, Napolitano poderia aceitar o pedido de renúncia de Berlusconi no mesmo dia. Então, poderia pedir formalmente a Monti ou a outro candidato para formar um governo de tecnocratas.

A Itália passa por um teste econômico. Na quarta-feira, os juros para esse tipo de papel se aproximaram dos 7% , limite que especialistas consideram perigoso, que já levou Grécia, Portugal e Irlanda a pedirem socorro internacional.

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