Aprovação de plano de resgate traz alívio a Governo e Congresso dos EUA

Macarena Vidal. Washington, 3 out (EFE) - O plano de resgate do sistema financeiro nos Estados Unidos, avaliado em US$ 700 bilhões, se transformou hoje em lei após ser aprovado pela Câmara de Representantes e assinado, imediatamente em seguida, pelo presidente americano, George W. Bush.

EFE |

Após quatro dias de incerteza e intensas negociações, uma maioria de 263 congressistas se pronunciou a favor da medida, frente aos 171 que votaram contra.

Na segunda-feira, os representantes tinham rejeitado a medida, enquanto na Casa Branca e nos corredores do Congresso afirmava-se que o pacote seria aprovado. Hoje, o dia começou com incerteza, mas, à medida que as horas passavam, ficava mais claro que, desta vez, o projeto de lei contava com os votos suficientes.

Como na votação de segunda-feira, os democratas foram quem mais apoiaram a medida, com 172 sufrágios a favor, bem à frente dos republicanos (91). A maior parte desta última bancada, 108, votou contra, assim como fizeram 63 democratas.

A medida, cujo nome oficial é Lei de Estabilização Econômica de Emergência de 2008, foi apresentada imediatamente na Casa Branca, onde Bush assinou-a imediatamente, conforme anunciou o Governo americano.

A entrada em vigor da nova lei é um alívio para o Congresso, sob pressão para apresentar uma solução à crise, e para o Governo e os mercados, após semanas de turbulências que, na segunda-feira, causaram a maior queda em pontos do índice Dow Jones da história.

Porém, os protagonistas deixaram claro que este é só o primeiro passo e ainda resta muito a ser feito para sanear uma economia que hoje anunciou a maior redução em postos de trabalho em um mês dos últimos cinco anos e meio: 156 mil em setembro.

Segundo Bush, a entrada em vigor da lei ajudará "de maneira corajosa a que a crise em Wall Street não se estenda por todo o país".

O presidente americano afirmou que não é partidário da regulação em geral, mas que, devido à gravidade da situação nos mercados financeiros, "era necessário agir".

Após ser rejeitado pela Câmara de Representantes na segunda-feira, o projeto de lei, que no começo da semana tinha pouco mais de 100 páginas, foi modificado para incluir uma série de emendas, que o deixaram com suas 451 páginas definitivas.

O eixo central do acordo continua sendo a capacidade do Tesouro de adquirir a dívida de má qualidade dos bancos por até US$ 700 bilhões.

Deles, o Governo poderá usar US$ 250 bilhões imediatamente e outros US$ 100 bilhões se o presidente Bush determinar que precisa deles. O Congresso pode reter os outros US$ 350 bilhões se não estiver satisfeito com o desempenho do programa.

A presidente da Câmara de Representantes, Nancy Pelosi, afirmou que se a medida não tivesse sido aprovada, teria implicações "terríveis" para a economia dos cidadãos comuns, e atribuiu os problemas atuais a mercados "indisciplinados e sem supervisão" que causaram "o caos".

Segundo Pelosi, a iniciativa permite uma maior transparência das entidades financeiras e uma melhor reforma dos marcos regulatórios.

Já para o líder da minoria republicana nesse fórum, Steny Hoyer, o projeto de lei equivale a "ter feito uma operação de emergência em uma vítima de infarte" e permitirá estabilizar a economia, mas "não se voltará à normalidade até que o paciente tenha começado a comer normalmente e recupere a saúde".

Em comunicado, o presidente do Federal Reserve (Fed, banco central americano), Ben Bernanke, afirmou que o projeto de lei é "um passo crítico para a estabilização dos mercados financeiros e para garantir o fluxo de créditos às famílias e às empresas".

"O Federal Reserve seguirá trabalhando em estreito contato com o Tesouro para tornar efetivas as novas iniciativas e seguiremos fazendo uso de todos os poderes ao nosso dispor para combater as turbulências no mercado de crédito e para alimentar uma economia forte e vibrante", acrescentou Bernanke. EFE mv/db

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