Londres, 6 fev (EFE).- Jeremy Clarkson, um famoso e irônico apresentador da emissora pública BBC, causou hoje polêmica no Reino Unido ao chamar o primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, de idiota escocês zarolho.

Clarkson, uma das estrelas mais bem pagas da "BBC", fez a declaração em Sydney, durante a apresentação da versão australiana de seu popular programa, "Top Gear", dedicado ao mundo automobilístico.

O apresentador comparou Brown, de origem escocesa e cego de um olho devido a um acidente que sofreu quando era jovem jogando rugby, com o primeiro-ministro australiano, Kevin Rudd, depois que este fez um pronunciamento à nação com uma mensagem sobre a crise econômica.

"Ele (Rudd) parecia realmente aterrorizado", comentou Clarkson, para se referir depois ao chefe do Governo britânico.

"(No Reino Unido) Nós temos este idiota escocês zarolho. Ele continua dizendo que tudo vai bem e que salvou o mundo, e nós sabemos que está mentindo, mas diz isso com voz melosa", afirmou a estrela da "BBC".

As palavras do apresentador, que possui tanto fãs quanto inimigos no Reino Unido, causaram polêmica.

A diretora do Instituto Nacional das Pessoas Cegas, Lesley-Anne Alexander, considerou o comentário uma ofensa, e ressaltou que "qualquer sugestão que equipare a incapacidade com a incompetência é completamente inaceitável".

Além disso, o deputado do governista Partido Trabalhista Gordon Banks qualificou o caso de "imperdoável", enquanto o líder dos trabalhistas na Escócia, Iain Gray, criticou o apresentador, ao afirmar que sua frase "fala por si só".

"A maioria das pessoas aqui está orgulhosa do fato de o primeiro-ministro ser escocês, e acredita que é a pessoa adequada para tirar o Reino Unido desta crise econômica global", acrescentou.

Um porta-voz do ministro principal da Escócia, o nacionalista Alex Salmond, foi ainda mais longe e qualificou Clarkson de "palhaço".

Diante das críticas recebidas, Jeremy Clarkson pediu perdão e evitou, de quebra, um possível pedido de retratação por parte da "BBC".

O escritório oficial do chefe do Governo britânico se limitou a declarar que o apresentador "tem direito a sua própria interpretação das circunstâncias econômicas". EFE pa/db

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