Apreensão no Brasil diante de possíveis barreiras comerciais pela Argentina

Brasília, 11 mai (EFE).- A possibilidade de que a Argentina imponha barreiras comerciais as importações de alimentos foi recebida hoje com apreensão por empresários brasileiros, que chegaram a cogitar uma possível "suspensão" do comércio com o país vizinho.

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Brasília, 11 mai (EFE).- A possibilidade de que a Argentina imponha barreiras comerciais as importações de alimentos foi recebida hoje com apreensão por empresários brasileiros, que chegaram a cogitar uma possível "suspensão" do comércio com o país vizinho. "Seria um atentado contra as regras do Mercosul", declarou a jornalistas o presidente da Associação Brasileira das Indústria de Alimentos (ABIA), Edmundo Klotz, quem lembrou que o setor alimentício é "o principal gerador do superávit na balança comercial" do Brasil. Klotz assegurou que se as barreiras foram feitas, Brasil deverá reagir e "será muito mais caro" para a Argentina, um país que considerou que "não é tão importante como muitos pensam", mas que a indústria brasileira deseja manter como cliente. Uma posição inclusive mais dura adotou o diretor de Comércio Exterior e Assuntos Internacionais da Confederação de Agricultura e Pecuária (CNA), Carlos Sperotto, quem chegou a colocar que o Brasil "suspenda" o comércio com a Argentina até que aclare que tipo de barreiras estuda para proteger a seus produtores. A inquietação no Brasil surgiu diante de uma iniciativa do secretário de Comércio Interior argentino, Guillermo Moreno, quem colocou a possível aplicação de barreiras comerciais às importações de alimentos que se produzem em seu país. Embora nada tenha sido oficializado, jornais locais divulgam hoje informações procedentes da Argentina, segundo as quais as medidas entrariam em vigor em 10 de junho e contariam com o apoio do ministro da Economia argentino, Amado Boudou. Fontes oficiais consultadas pela Agência Efe disseram que o Governo brasileiro não se pronunciará sobre o assunto por enquanto. O temor dos industriais brasileiros é que as medidas que a Argentina se propõe aplicar impactem diretamente nas exportações de milho, porco, aves, tomates e muitos outros produtos agropecuários que também são produzidos pelo país vizinho. A nova polêmica entre os dois principais membros do Mercosul, bloco que completam Uruguai e Paraguai, surgiu depois que, na sexta-feira passada, funcionários argentinos e brasileiros realizaram uma nova rodada de reuniões dirigidas para superar seus problemas comerciais. Nesse último encontro, realizado em Buenos Aires, foi acordado, entre outros assuntos, avançar na integração produtiva do setor vitivinícola, ao que o Brasil aplica desde o ano passado barreiras não automáticas para suas importações desde Argentina. A medida foi decidida pelas autoridades brasileiras no marco de sua resposta a medidas similares aplicadas antes pela Argentina à importação de outros produtos procedentes do Brasil. EFE ed/dm

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