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Washington Post compara ação da polícia em favelas do Rio à dos EUA no Iraque

A polícia está adotando táticas de guerra similares às que soldados americanos usam no Iraque para combater o tráfico de drogas nas favelas do Rio, segundo reportagem publicada nesta terça-feira pelo jornal americano Washington Post.

BBC Brasil |

A reportagem fala da ação policial no Morro Santa Marta, no Rio de Janeiro afirmando que, segundo as autoridades, ela é diferente das anteriores e é um projeto piloto para o futuro combate ao crime na cidade.

"Os oficiais de polícia brasileiros estão usando táticas contra a insurgência parecidas com as usadas por soldados americanos no Iraque - estabelecendo pequenas bases ocupadas 24 horas por dia em vizinhanças violentas, desenvolvendo inteligência ao viver entre os adversários e usando fundos do governo para reconstruir áreas arruinadas e gerar boa vontade", diz o Washington Post.

Mas segundo o diário, esse modelo - "de forte presença policial durante tempos de paz em uma grande cidade" - está atraindo críticas, não apenas de parte dos moradores dessas comunidades, mas também de organizações de defesa dos direitos humanos, e não necessariamente poderá ser copiado por qualquer outra comunidade.

"Nesta e em similares operações em outras favelas do Rio, a polícia proibiu moto-táxis - um veículo comumente usado para a distribuição de drogas. Os moradores afirmam que a polícia arrombou portas e maltratou gente, fechou festas da vizinhança, cortou conexões ilegais de TV e internet e impôs toques de recolher na prática."

O jornal cita um pesquisador da ONG Justiça Global, Rafael Dias, que classifica a ação policial como uma ocupação e critica a falta de liberdade e a violência com que os moradores são tratados.

Para o Washington Post, o desafio de acabar com a criminalidade nas grandes cidades é comum a países latino-americanos, onde forças policiais com poucos recursos e muitas tarefas enfrentam problemas de corrupção entre seus funcionários e a desconfiança da população.

O jornal ainda cita um oficial da Secretaria de Segurança do Rio, António Roberto Cesário de Sá, que estima que a cidade precise de mais 10 mil policiais para combater efetivamente o crime e replicar a operação do Santa Marta em outras e maiores favelas.

"Mas disputa-se que este seja um modelo que mereça ser replicado", afirma o diário.

A reportagem ainda comenta a ação policial nos mesmos moldes adotada na Cidade de Deus, e afirma que apesar de o número de roubos e assassinatos ter diminuido nas duas comunidades, os moradores se queixam da falta de liberdade e dos excessos da polícia.

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