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Turismo reprodutivo preocupa cientistas na Grã-Bretanha

Por Michael Kahn LONDRES (Reuters) - Trinta anos depois do nascimento da britânica Loise Brown, o primeiro bebê de proveta, especialistas dizem que a prática se disseminou a ponto de colocar em risco mulheres e bebês envolvidas no turismo reprodutivo. Vôos mais baratos, fronteiras abertas e rápidos avanços médicos estimularam nos últimos anos muitos casais a procurarem a inseminação artificial em países onde a prática custa bem menos.

Reuters |

Sem que haja um conjunto internacional de regras que oriente os interessados, muitos acabam correndo riscos em clínicas inadequadas, segundo especialistas. Muitas vezes, casais desesperados nem sabem de onde vêm os óvulos, ou a mulher volta grávida de múltiplos embriões -- o maior risco desse procedimento.

'Governos, organizações de pacientes e médicos devem organizar campanhas de conscientização para alertar os cidadãos para os possíveis riscos do atendimento além-fronteiras e para informá-los das possibilidades', disse Guido Pennings, especialista em ética da Universidade de Ghent (Bélgica), numa recente conferência.

A inseminação artificial já permitiu o nascimento de mais de 3,5 milhões de bebês no mundo desde 25 de julho 1978, quando uma cesariana deu à luz a britânica Louise Brown.

A maioria dos tratamentos envolve mulheres de 30 a 39 anos.

A procura pela inseminação artificial cresce em parte porque as mulheres vêm adiando o momento de ter o primeiro filho.

A Europa é o lugar onde esse procedimento é mais comum, mas especialistas dizem que não há uniformidade de padrões -- medidas adotadas por segurança em alguns países são limitadas ou até proibidas em outros. A Itália, por exemplo, não autoriza o congelamento de embriões, o que obriga interessados a buscarem outros países.

Os especialistas também vêem uma tendência de que as mulheres voltem a seus países grávidas de muitos embriões. Na Grã-Bretanha e na Escandinávia, os médicos só podem implantar um ou dois óvulos fecundados na mulher; alguns outros países não impõem restrições, o que torna relativamente comum o nascimento de trigêmeos.

E, com relação aos custos, o Leste Europeu tem se mostrado mais atrativo para os casais do que a Europa Ocidental, segundo os especialistas.

'As pacientes infelizmente às vezes voltam com uma alta taxa de múltiplos de alguns lugares do mundo onde os padrões não são tão elevados', disse Françoise Shenfield, especialista em fertilidade no University College de Londres e membro do conselho de ética da Sociedade Européia de Reprodução Humana e Embriologia.

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