O pacifista israelense Meir Margalit, filho de sobreviventes do Holocausto, fez um apelo público nesta terça-feira ao papa Bento XVI para que se pronuncie contra a ocupação por parte de Israel dos territórios palestinos.

Em declarações à AFP, Margalit, de 57 anos, membro da administração de Jerusalém, afirmou: "como pacifista espero que o Papa se pronuncie claramente contra a ocupação".

"Não se pode vir a Israel falar de paz e não falar dos dois milhões e meio de palestinos que vivem sob a ocupação. Se o Papa não falar disso, sua visita será decepcionante", comentou.

Representante do partido de esquerda Meretz na administração de Jerusalém, Margalit está convencido de que a visita de Bento XVI à Terra Santa e, sobretudo, a etapa de Israel, "está sendo instrumentalizada".

"Até o prefeito de Jerusalém admimitiu isso. A visita papal deve servir para melhorar a imagem de Israel no mundo ocidental, seja do ponto de vista econômico, seja para as relações públicas", comentou.

Para o político de esquerda, as polêmicas em torno do discurso do Sumo Pontífice sobre o Holocausto, criticado por sua frieza e por não ter pedido claramente perdão como alemão e católico, "são vergonhosas, grotescas e arrogantes".

"O que querem? Que baixe as calças e peça perdão desde a Inquisição até o Holocausto? Um Papa que visita o Memorial do Holocausto de Jerusalém já fez um gesto forte, simbólico, de condenação", assegurou.

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