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Oscar do teatro : A era das divas terminou, diz Paulo Szot

Ainda sob a surpresa de ter ganhado o mais importante prêmio do teatro americano, o Tony Awards, o cantor brasileiro Paulo Szot disse que o prêmio não muda nada na sua vida. No dia-a-dia, não muda nada. Vou continuar a fazer os oito shows por semana, mas é muito bom ter o reconhecimento do público.

BBC Brasil |

A declaração é provavelmente exagerada, mas se encaixa à perfeição ao que pensa Szot (pronuncia-se "xót"). Aos 38 anos, ele faz parte de uma nova geração de cantores de ópera que quer popularizar sua arte e se aproximar do público.

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Brasileiro recebeu o prêmio Tony
das mãos de Liza Minelli
"A era das divas terminou. Ainda bem", disse Szot em entrevista à BBC Brasil duas semanas antes de ser premiado. "Faço parte de uma geração que quer mudar a imagem do cantor de ópera. O cantor inatingível aliena o público novo."

Szot afirmou que ficou muito surpreso com o prêmio. "Não faz parte do repertório brasileiro sonhar com um prêmio como o Tony Awards. A Liza Minnelli (que anunciou seu nome) é um ícone do teatro americano. Foi inacreditável."

Dança

Em 11 anos de carreira como barítono, interpretando personagens como o Conde de Almaviva em "As Bodas de Fígaro" e Escamillo em "Carmen", Szot nunca pensou em participar de um musical.

Os testes para o papel principal de "South Pacific" começaram em Nova York justamente quando Szot estava em uma produção em Boston, e ele só participou porque era perto.

"Eu achava que não tinha nenhuma chance - um brasileiro, sem nenhuma experiência na Broadway, para o papel de um francês morando na Polinésia durante a Segunda Guerra Mundial... Mas meu agente disse que o papel tinha sido escrito para um cantor de ópera e acabei topando."

Durante os testes, porém, Szot fez as quatro candidatas ao papel de atriz principal chorarem quando cantou "Some Enchanted Evening" e acabou levando o título. Agora que ganhou o Tony, o barítono diz que seu cotidiano não deve mudar.

Szot diz estar curtindo o desafio de cantar em um musical, ter uma relação mais próxima ao público ("Eles cantam comigo") e poder aprofundar-se na construção de um personagem.

O cantor diz acreditar que, mesmo no mundo clássico da ópera, há um movimento da geração mais nova de cantores para popularizar o gênero.

Versatilidade

A versatilidade em obter sucesso em dois tipos completamente diferentes de performance musical pode ter raízes no fato de que Szot começou sua carreira dançando.

Aos 18 anos, depois de se formar em um colégio de freiras em Ribeirão Pires, no interior de São Paulo, Szot recebeu uma bolsa do governo polonês para estudar o idioma e acabou tomando aulas de dança com professores russos que moravam em Cracóvia.

Três anos mais tarde, machucou o menisco e seu médico disse que "poderia dançar por mais três anos e nunca mais caminhar, ou deveria parar imediatamente para poder caminhar até o resto da vida". "Foi uma decisão traumática", conta o brasileiro.

Foi então que Szot descobriu que a Companhia Estatal de Canto Slask estava procurado cantores para o seu coral folclórico. Szot conhecia todas as músicas porque quando era pequeno passava o percurso de Ribeirão Pires a São Paulo cantando com seus pais (Kazimierz, ou Casimiro na tradução brasileira, e Zdislava, ou Dirce) e seus quatro irmãos (Lúcia, Janina, Luciano e Jan) no banco de trás do carro.

Ele cantou duas músicas no teste e, às 7h do dia seguinte, já estava no trem a caminho de um castelo em Koszecin, uma cidade pequena no interior da Polônia, onde o grupo ensaiava.

"Meus pais sempre deram muita importância para a música", diz o cantor que começou a estudar piano aos cinco anos e violino aos sete. Domingo foi aniversário de sua mãe Dirce. "Este Tony é um presente para ela."

Ópera

Szot trabalhou para a companhia Slask durante cinco anos e depois, incentivado pela professora de música Janina Kuszyk-Kuszynska, enveredou para a ópera. "Ela era brava e não deixava eu me apresentar. Passei dois anos fazendo vocalizes, a-e-i-o, um verdadeiro exercício de paciência."

Em dezembro de 1994, uma amiga de sua mãe recortou um anúncio no jornal sobre o 5º Concurso Internacional de Canto Luciano Pavarotti. Szot mandou uma fita e acabou sendo um dos finalistas.

Desde sua estréia profissional em 1997, protagonizando a montagem de "O Barbeiro de Sevilha" no Teatro Municipal de São Paulo, ele já participou de mais de 60 produções. Em 2000, recebeu o Prêmio Carlos Gomes na categoria Destaque Vocal Masculino.

Szot pretende participar de "South Pacific", no teatro Vivian Beaumont Theatre do Lincoln Center, até novembro, interrompendo somente para três apresentações rápidas de "A Viúva Alegre", em Marselha, e "Carmen", em Toulouse, no segundo semestre.

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