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Olheiros do Brasil tiram lições de Pequim para campanha Rio 2016

Um grupo de cerca de 25 observadores do Brasil está em Pequim tentando tirar lições com os chineses sobre como organizar uma Olimpíada. As informações colhidas serão incluídas em um relatório de viabilidade que precisa ser apresentado ao Comitê Olímpico Internacional (COI) em fevereiro, como parte da campanha brasileira de sediar no Rio de Janeiro a Olimpíada de 2016.

BBC Brasil |

A convite do próprio COI, o Brasil colocou "olheiros" para participar de visitas guiadas a instalações esportivas e dos painéis de discussão com os organizadores chineses sobre temas como segurança, credenciamento, sistema de venda de ingressos, marketing, proteção da marcas e logística.

As observações na China serão usadas pelos pesquisadores da Fundação Getulio Vargas (FGV) para montar o plano de viabilização dos Jogos no Rio que será levado ao COI.

O Rio de Janeiro disputa o direito de sediar a Olimpíada de 2016 com Tóquio, Chicago e Madri. A cidade vencedora será anunciada pelo COI em outubro de 2009.

Mesmos problemas
"Temos muito a aprender com Pequim. A capital chinesa tinha os mesmos problemas do Rio na questão viária, pois é uma cidade com um tráfego muito intenso que tinha uma linha de metrô muito limitada, mas ela superou isso", disse à BBC Brasil Ricardo Leyeser Gonçalves, Secretário Nacional do Comitê da Candidatura do Rio 2016.

"Nós vamos ter que fazer um trabalho de planejamento muito forte para transformar o Rio de Janeiro, investindo em mobilidade urbana, sistema de transportes, investindo na segurança", reconhece o ministro dos Esportes, Orlando Silva.

Os organizadores da candidatura do Rio admitem que será difícil superar Pequim no quesito de grandiosidade das obras, mas argumentam que o sucesso dos Jogos Pan-Americanos em 2007 credenciariam a cidade a realizar uma boa Olimpíada.

Alem das lições da China, o estudo montado pela FGV também se baseia em uma comparação do plano diretor da cidade do Rio com as obras já previstas no Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) do governo federal.

A cidade aproveitará os investimentos previstos no PAC para concluir obras de infra-estrutura necessárias ao desenvolvimento do Rio, que já serviriam para os Jogos Olímpicos também, caso a cidade seja escolhida pelo COI.

"Os gastos são com obras que ficarão para o Rio e estão sendo coordenadas com o PAC. A vantagem disso é que estamos amortizando os investimentos", explica Leyeser Gonçalves.

Um exemplo disso, cita Leyeser Gonçalves, foi o recente repasse de US$ 3 milhões pelo ministério dos Esportes pelo PAC para a duplicação das linhas que ligam a Barra a Lagoa e a Barra ao Deodoro, áreas da cidade onde o plano diretor já prevê desenvolvimento e onde ficariam as instalações olímpicas.

"Também estaremos aproveitando infra-estrutura que já foi construída para os jogos Pan-Americanos, a Olimpíada Militar de 2011 e a Copa de 2014", ressaltou.

Leyeser Gonçalves estima que ao final de 2014 - ano em que o Brasil sediará a Copa do Mundo - "mais de 50%" da estrutura necessária para as Olimpíadas já estará pronta independentemente do sucesso da candidatura carioca.

'Elefantes brancos'
O projeto da FGV abrange seis áreas diferentes e indica algumas mudanças que serão necessárias para que o Rio tenha condições de virar sede olímpica.

Uma das preocupações do levantamento é evitar que os prédios construídos para uma eventual Olimpíada fiquem abandonados e virem "elefantes brancos".

Na parte sobre o mercado imobiliário, o estudo pretende mostrar a melhor forma de construir vilas olímpicas, para que elas possam ser comercializadas como residências depois do evento.

Igualmente, o levantamento mapeia a geografia do mercado de serviços na área de esporte para encontrar formas rentáveis à iniciativa privada de explorar as instalações Olímpicas após o fim dos Jogos.

A FGV também está de olho no risco de especulação imobiliária nas áreas próximas aos prédios Olímpicos e quer evitar possíveis problemas colaterais como despejos irregulares e bolhas especulativas.

Problemas esses, que por sinal, afetaram Pequim e fizeram da capital chinesa um mau exemplo nesse sentido.

Seguindo os itens do protocolo do COI, o estudo também estimará o impacto social e econômico que uma Olimpíada teria na cidade, avaliará a viabilidade ambiental das construções e fará um mapeamento completo dos hotéis e acomodações o Rio.

"Um grande desafio geral é fazer prognósticos e sustentações para daqui a oito anos em regiões que estão em mudanças continuas", resumiu André Brandão, que é coordenador de projetos na FGV.

Brandão não revela quanto custou este estudo, nem quais as estimativas iniciais de investimento necessário para a realização dos Jogos, mas a candidatura do Rio já tem a disposição um orçamento de US$ 42 milhões que precisa ser gasto até outubro de 2009, época quando será anunciada a cidade vencedora.

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