Números não traduzem a confusão humana causada pelo terremoto , diz primeiro-ministro do Haiti - Mundo - iG" /

Números não traduzem a confusão humana causada pelo terremoto , diz primeiro-ministro do Haiti

Cerca de 230 mil mortos; 1,3 milhão de desabrigados; 250 mil casas destruídas; 400 mil pessoas à procura de parentes desaparecidos ¿ todos esses números ¿não traduzem a confusão humana causada pela tragédia que devastou o Haiti em janeiro¿, segundo palavras do primeiro-ministro haitiano, Jean-Max Bellerive. O País ganhou nesta terça-feira uma sessão de homenagem, solidariedade e recomendações dos participantes do Fórum Urbano Mundial, que acontece durante toda esta semana no Rio de Janeiro.

Rodrigo de Almeida, iG Rio de Janeiro |

Não podemos construir o futuro em cima dos nossos cadáveres. Temos o desafio de construir um outro país, afirmou Bellerive, que vai apresentar seu plano de reconstrução numa conferência agendada para o próximo dia 31, em Nova York. O encontro reunirá países doadores de recursos para o Haiti e, a partir dos recursos que Bellerive conseguir, o plano será revisto ou não.

Para o primeiro-ministro, será um encontro de reivindicações. Vamos pedir dinheiro, sim. Temos humildade para admitir que são recursos que não temos. É um esforço mínimo que pedimos no nível da solidariedade internacional, para oferecer uma alternativa viável e séria para a população haitiana, disse.

AP
Menino carrega comida em frente a prédio destruído em Porto Príncipe
Menino carrega comida em frente a prédio destruído em Porto Príncipe

Na conferência de Nova York, o Haiti vai detalhar o plano, e os países doadores de recursos vão informar quanto dinheiro pretendem fornecer, e em quais modalidades. Fala-se, por exemplo, em perdão de dívidas, envio de alimentos, transferência de dinheiro, financiamento de longo prazo.

US$ 11 bilhões em 10 anos

As cifras para achar a alternativa imaginada pelos haitianos são elevadas. Ultrapassam a casa dos US$ 11 bilhões para os próximos 10 anos, de acordo com avaliação feita por especialistas internacionais. Segundo o primeiro-ministro do Haiti, seriam necessários US$ 3,5 bilhões para os próximos 18 meses. O dinheiro serviria para financiar programas de emprego, agricultura, indústria e serviços no período. Ou ainda: US$ 350 milhões para cobrir o déficit orçamentário de 2010. Temos uma grande lacuna no orçamento, esse é o objetivo imediato, avisou Bellerive a jornalistas.

Pouco antes, o primeiro-ministro ouviu do ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, que o Haiti ainda vai precisar da ajuda internacional por um bom tempo, mas ela virá sem que a autonomia do País seja afetada. Amorim também ressaltou que uma das principais dificuldades do Haiti é a cobertura das despesas correntes.

Em seguida, o ministro das Cidades, Márcio Fortes, lembrou a Bellerive que os diagnósticos já foram feitos, e que é hora de agir. Segundo Fortes, a presença do primeiro-ministro no fórum permite-lhe ouvir sugestões de ações dos técnicos, formuladores de políticas e empresários que participam do encontro no Rio.

Mensagem

Na sessão do Fórum Urbano Mundial dedicado ao Haiti, a diretora-executiva da ONU-Habitat, entidade organizadora do evento, leu uma mensagem do ex-presidente dos EUA, Bill Clinton. O texto foi aplaudido pelos presentes ao elogiar o papel do governo brasileiro na reconstrução do Haiti ¿ antes e depois do terremoto de janeiro.

Clinton é o enviado especial da ONU para a reconstrução do País. Ele e o ex-presidente George Bush são os responsáveis por um fundo de ajuda humanitária criado pelo presidente Barack Obama. O fundo arrecadou cerca de US$ 36 milhões, dos quais US$ 4 milhões foram distribuídos até agora a várias organizações que ajudam os desalojados no País.

O governo haitiano, no entanto, se diz preocupado não só em conseguir o máximo de recursos. Questionado no Rio sobre o histórico de corrupção no País e o possível enfraquecimento do Estado haitiano diante do trabalho das organizações não governamentais presentes no País, o primeiro-ministro ressaltou o desafio de controlar o dinheiro que chega da comunidade internacional.

Bellerive afirmou que o governo está recadastrando todas as ONGs em atividade no Haiti. Quem está no Haiti e para fazer o quê? E quanto dinheiro há para isso?, questionou. Qual o destino desse dinheiro que está sendo coletado no mundo inteiro em nome do Haiti?. Ele se tornou primeiro-ministro logo depois do terremoto de janeiro.

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