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Não há solução mágica para crise , diz gerente da Aerolineas

O novo gerente geral da companhia aérea Aerolíneas Argentinas, Julio Alak, indicado pelo governo, disse que o caos aéreo que já dura três dias nos aeroportos do país foi causado por erros nas reservas e falta de investimentos na empresa, assim como interferências de rádios clandestinas e o mau tempo. Alak disse que a situação atual tende a se normalizar no decorrer da semana, mas, segundo ele, não se pode esperar soluções mágicas numa empresa que estava à beira da falência.

BBC Brasil |

Segundo ele, os atrasos das últimas horas foram registrados porque houve overbooking - venda de passagens superior a quantidade de lugares. Alak disse à agência oficial Telam:
"Os problemas ocorrem por excesso de venda de passagens e pela escassa quantidade de aviões. Temos 28 aviões em operação para vôos locais, mas deveriamos ter 42 aviões. E o mais grave é que o grupo que respondia pela empresa vendeu passagens como se a frota estivesse completa".

Para ele, a situação da Aerolíneas é resultado da "falta de investimentos para ampliação, reparação e renovação da frota". Alak explicou ainda que o caos que começou na sexta-feira ocorreu ainda devido a interferências de rádios clandestinas na torre de controle e também devido ao mau tempo em algumas regiões do sul do país, onde estão as estações de esqui de Bariloche e outros lugares da Patagônia.

Para ele, sábado foi "o dia mais crítico do ano" para a companhia aérea, com passageiros demais e aviões de menos.

Crise

Alak lembrou que a Aerolíneas, privatizada nos anos 90, enfrenta grave crise econômica e que o grupo que a administrava - o espanhol Marsans - deixou um passivo superior aos US$ 980 milhões.

Alak recordou que o Estado assumiu a dívida e ainda o pagamento dos salários dos funcionários da empresa. O projeto para a reestatização da companhia aérea depende agora da aprovação do Congresso Nacional.

Pelo terceiro dia consecutivo, neste domingo, os passageiros argentinos e estrangeiros enfrentam atrasos nas saídas dos vôos da companhia aérea Aerolíneas Argentinas.

As demoras, em muitos casos, são superiores as 12 horas e muitos passageiros reclamam da falta de informações no balcão da empresa, como mostraram, neste domingo, as emissoras de televisão TN (Todo Notícias) e C5N.

Grupos de passageiros brasileiros que viajavam para Bariloche, na Patagônia, passaram horas no aeroporto local de Buenos Aires - chamado de "Aeroparque" - sem notícias sobre o momento do embarque.

Houve gritos e choro de passageiros no sábado. Neste domingo, vários vôos foram reprogramados ou cancelados. A situação é mais tranqüila no aeroporto internacional de Ezeiza, onde os vôos saem no horário, de acordo com informações locais.

Reestatização

A confusão com a Aerolíneas ocorre menos de uma semana depois que a presidente Cristina Kirchner e o ministro do Planejamento argentino, Julio de Vido, anunciaram a reestatização da empresa.

No início da semana passada, numa cerimônia na Casa Rosada (sede da presidência da República), Cristina pediu a compreensão dos trabalhadores e sindicatos da empresa e disse: "Os que pagaram pela passagem querem sair e chegar no horário".

A cerimônia contou com a presença de pilotos e aeromoças da empresa, entre outros. Com freqüência, os vôos da Aerolíneas - principal empresa aérea da Argentina - sofrem atrasos de horas e os passageiros queixam-se da falta de informações.

Os motivos podem ser greves de último momento, mau tempo ou falta de aviões.

No fim de semana passado, cerca de cinco mil turistas brasileiros, que viajavam em 17 vôos charters de diferentes cidades do Brasil para Bariloche, na província de Rio Negro, tiveram que aterrisar em outra província, Neuquén, e viajar 460 quilômetros de ônibus até o destino original.

O Serviço Metereológico Nacional (SMN) anunciou que os vôos deveriam ser suspensos devido à aproximação de cinzas do vulcão chileno Chaitén - que recentemente entrou em erupção.

Mais tarde, o mesmo serviço retificou a informação, dizendo tratar-se de uma nuvem de fumaça e o aeroporto foi reaberto. Mas, àquela altura, os turistas brasileiros já estavam na estrada.

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