Autoridades australianas dizem estar preocupadas com o número crescente de casos de aborígines que passaram a cheirar gasolina depois que o governo lançou um plano para combater o alcoolismo e abusos infantis entre as comunidades aborígines no norte do país. Em 2006, a Austrália enviou tropas e equipes médicas para a região como parte de um plano bilionário para acabar com o alto consumo de álcool e abusos de crianças nessas comunidades.

Líderes tribais, no entanto, afirmam que com a proibição da entrada e consumo de bebidas alcoólicas, os aborígines passaram a cheirar gasolina como forma de manter o vício e tentar "escapar da pobreza".

A inalação de gasolina provoca uma sensação rápida de euforia e de "invencibilidade", mas seu abuso pode ter conseqüências graves, como danos cerebrais, depressão, pressão alta, problemas cardíacos e abortos.

Segundo as autoridades, crianças de apenas cinco anos estão viciadas na substância.

Autoridades locais introduziram algumas medidas drásticas para tentar conter o avanço do fenômeno, como enviar alguns dependentes para centros de reabilitação, além de introduzir na região um tipo de gasolina inodora.

Segundo o correspondente da BBC em Sydney, Phil Mercer, a situação pode piorar nos próximos meses, quando o consumo da droga aumenta com a estação das chuvas.

Nesta época do ano, muitas comunidades ficam isoladas pelas cheias dos rios e estradas interditadas, contribuindo para o agravamento da pobreza na região.

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