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Governo de Mianmar poderá cometer crime contra humanidade

O embaixador da França na Organização das Nações Unidas (ONU) acusou o governo militar de Mianmar de estar prestes a cometer um crime contra a humanidade por não permitir que suprimentos de ajuda cheguem às vítimas do ciclone Nargis. Jean-Maurice Ripert fez os comentários durante uma sessão da Assembléia Geral, depois de Mianmar ter acusado a França de enviar um navio de guerra à região.

BBC Brasil |

A França rejeita a acusação e afirma que o navio está levando 1,5 mil toneladas de alimentos e medicamentos para os sobreviventes do ciclone.

Uma força naval dos Estados Unidos também está esperando permissão, na costa de Mianmar, para entregar grandes carregamentos de ajuda, incluindo água potável, mas até agora o governo militar do país recusou a chegada de ajuda pela via marítima.

A Cruz Vermelha pediu mais de US$ 50 milhões em ajuda para ajudar os sobreviventes e afirmou que Mianmar enfrenta uma catástrofe de proporções gigantescas.

Agências internacionais de ajuda também estão insatisfeitas com o lento progresso da entrega de ajuda às áreas mais atingidas, principalmente no delta do Irrawaddy.

O comissário de Desenvolvimento e Ajuda Humanitária da União Européia, Louis Michel, não obteve permissão para visitar a região do delta. Michel afirmou que nenhum país conseguiria lidar sozinho com um desastre como o que atingiu a região.

"Nenhum governo do mundo pode enfrentar um problema como este sozinho, ninguém. É uma grande catástrofe, um grande cataclismo", disse.

A contagem oficial de mortos no desastre causado pelo ciclone em Mianmar subiu para quase 78 mil pessoas, com quase 56 mil desaparecidas, segundo informações da emissora de televisão estatal do país.

Até então, o país dizia que havia 43 mil mortos e 28 mil desaparecidos, uma estimativa que contrastava com o número de mais de 100 mil calculado pela Cruz Vermelha e pela Organização das Nações Unidas (ONU).

Otimismo
Mesmo com a permissão negada para ir até a região do delta do Irrawaddy, Louis Michel está otimista com a possibilidade de o governo militar birmanês deixar estrangeiros ajudarem mais no país.

"Acho que eles estão tentados a responderem de forma positiva ao nosso pedido, pois eles não duvidam da sinceridade e honestidade das medidas que estamos tomando no nível da União Européia."
"Eles estão tentados a responder de forma favorável ao nosso pedido para aumentar o número de vistos, para permitir que todas as operações sejam mais eficientes (...). Mas, ao mesmo tempo, ainda existe certa cautela (...). É um contexto difícil", afirmou.

O ciclone Nargis atingiu o sul de Mianmar no início deste mês, incluindo o delta do rio Irrawaddy.

A ONU aumentou de 1,5 milhão para 2,5 milhões o número de pessoas que podem ter sido afetadas pela passagem do ciclone por Mianmar.

Desde então, poucos funcionários estrangeiros de organizações de ajuda receberam a permissão do governo militar para entrar no país.

Bettina Luescher, do Programa Mundial de Alimentos da ONU (WFP), disse à BBC que a ajuda estrangeira começa a fluir mais livremente em Mianmar.

"Tivemos mais vôos chegando a Yangun, trazendo alimentos. Houve mais progresso na questão dos vistos. E mais estrangeiros entraram (no país). Mas, claro, gostaríamos de fazer muito mais", afirmou.

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