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FT : Política conservadora de empréstimos pode deixar Brasil ileso

As políticas austeras de empréstimos adotadas no Brasil podem fazer com que o País escape ileso da crise financeira mundial, segundo reportagem publicada nesta quarta-feira pelo jornal britânico Financial Times. Segundo o jornal, as condições de crédito estão mais apertadas e muitas empresas estão adiando planos de investimento, mas mesmo assim, o Brasil deve emergir relativamente ileso.

BBC Brasil |

"Economistas que anteriormente haviam previsto uma expectativa de crescimento entre 4,5% e 5,5% para o ano que vem, agora esperam crescimento entre 2,5% e 3,5% - o que não é ruim de jeito nenhum, comparado à expectativa global", diz o diário.

O grupo cita o exemplo de uma editora, em que todo o investimento foi feito com capital próprio, o que protegeu a empresa da crise, e ressalta que nem todas as empresas foram assim tão conservadoras.

Mas apesar disso, o jornal acredita que o país está a salvo. "No geral, no entanto, as empresas brasileiras estão muito menos endividadas do que suas concorrentes estrangeiras", diz o FT.

"A quantia total de crédito no Brasil equivalia a 38% do PIB em agosto, muito menos do que em muitos países desenvolvidos. Líderes empresariais vêm há muito tempo pedindo ao governo que realize reformas nos gastos para liberar mais dinheiro para financiar investimentos e consumo através de crédito. Houve uma aceleração do crescimento liderada pelo consumo nos últimos anos, com taxas de juros mais baixas, mais empregos e estabilidade econômica encorajando empréstimos."

Mas, afirma o jornal, as taxas de juros no Brasil permanecem altas em comparação com o mercado internacional, e o dinheiro emprestado para financiamento e consumo ainda sai caro.

"No nível internacional, o Brasil também está, relativamente, pouco exposto", diz a reportagem, lembrando que o governo pagou a maior parte de suas dívidas internacionais e agora é credor.

"Menos de 10% dos créditos dos bancos é levantado fora do Brasil. As importações equivalem a apenas 9% do PIB e as exportações a 12%."
"Mas a boa fortuna do Brasil não se deve apenas à sorte", afirma o FT, "O sistema bancário está sólido, depois de uma reestruturação promovida pelo Estado nos anos 90, com regras conservadoras na concessão de empréstimos".

O jornal lembra ainda que o Banco Central tem estado atento a perigos e respondido rapidamente, o que também teria contribuído para manter o País a salvo.

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