A primeira feira de subversão do mundo, promovida até domingo na cidade austríaca de Linz, está provocando discussão. Parte do calendário oficial de celebrações da capital europeia da cultura 2009, o evento divulga, de forma bem humorada, ações para desobediência civil.

O encontro é criticado por políticos conservadores, que não concordam que uma exibição do gênero seja financiada com dinheiro público.

A feira reúne até domingo 50 expositores de 22 países com produtos, ideias e workshops sobre novas formas de se protestar contra o sistema.

Os organizadores da "Subversiv-Messe ("Feira Subversiva", em tradução livre), feira de contracultura e tecnologia de resistência" prometem aos visitantes "um autêntico ambiente de feira" para um "intercâmbio concentrado de estratégias para uma virada radical da sociedade".

A maior parte dos expositores vê seus projetos não só como atividades políticas, mas como trabalhos artísticos contendo crítica social.

Limites

Para políticos conservadores, entretanto, há limites.

"Onde está o conteúdo artístico disso? O evento promove atividades criminosas", acusa Werner Neubauer, deputado federal do partido nacionalista FPÖ. "O político que gasta um centavo com isso, tem que sair", reivindica, alfinetando a administração de Linz.

"Ninguém tem que ter medo da subversão", defende Barbara Pitschmann, gerente de projeto do grupo artístico Social Impact, promotor do evento.

Os organizadores afirmam que querem incentivar os jovens a serem politicamente ativos e críticos. "Há muitas formas de poder, que muitas vezes, não percebemos, como o impulso consumista", explica Pitschmann.

Consumismo é o tema atacado pelo expositor Federico Lazcano, da Argentina. Ele apresenta em seu estande seu projeto para um "Radical ATM", um caixa eletrônico que "sequestra" o cartão de débito da pessoa e só o devolve depois de tocar músicas de protesto e vídeos de Noam Chomsky.

O artista polonês Gregor Rozanski mostra aos visitantes planos falsos para produzir granadas de mão e receitas de produção de bombas.

Já a dupla Ondrej Brody e Kristofer Paetau critica o modo como os animais são usados pela sociedade, exibindo peças produzidas com bichos inusitados, como roupas feitas com pele de ratos e tapetes de cachorro.

Nos workshops serão ministradas aulas sobre temas como treinamento de palhaços para manifestações ou as mais eficazes maneiras de se atrapalhar o discurso de um político.

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