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Espírito de Obama ainda ronda igreja em Chicago

Eu não sei quanto a vocês, mas quando chegar a terça-feira, eu vou acordar de manhã e vou ., afirma o reverendo Otis Moss III, estendendo seus braços para o alto, como que celebrando uma vitória. http://ultimosegundo.ig.com.br/eleicoeseua/2008/11/03/obama_lidera_em_6_de_8_estados_chave_nos_eua_2091782.html target=_topObama lidera em 6 de 8 Estados-chave nos EUA http://ultimosegundo.ig.com.br/eleicoeseua/ target=_topSaiba tudo sobre a corrida à Casa Branca Direto dos EUA: http://colunistas.ig.com.br/fronteiralivre/ target=_toprepórter do iG acompanha a reta final da disputa

BBC Brasil |

O gesto é recebido com gritos e aplausos por parte dos fiéis presentes no domingo à Trinity United Church, a igreja à qual pertenceu o candidato presidencial democrata Barack Obama e onde ele ainda conta com imensa popularidade, apesar de ter rompido com a instituição.

O comentário foi apenas uma das várias alusões favoráveis à candidatura de Obama e à eleição presidencial desta terça-feira, no culto realizado na igreja situada ao sul de Chicago.

O discurso de encerramento da campanha será feito pelo candidato no Grant Park, um dos marcos de Chicago.

Presença oculta

Apesar de vários fiéis irem à missa com camisetas, broches e adesivos estampados com o nome de Obama, em nenhuma ocasião o candidato democrata é citado nominalmente pelo reverendo Moss.

Obama integrou a Trinity por 20 anos, mas abandonou a igreja do sul de Chicago em abril deste ano, após o então pastor titular da Trinity, o reverendo Jeremiah Wright, ter feito uma série de declarações polêmicas.

O início da cisão entre o senador e a igreja começou em março, quando a imprensa americana e internautas começaram a circular pela internet um vídeo no qual Wright era visto durante um culto dizendo a frase ''Deus Amaldiçoe a América'' e acrescentando que os atentados de 11 de setembro de 2001 foram uma resposta à política externa belicosa americana.

Em princípio, Obama condenou as declarações de Wright, mas disse que não poderia deserdar o pastor que realizou o seu casamento e batizou suas filhas.

Mas quando, no mês seguinte, o reverendo fez declarações dando a entender que o vírus da Aids poderia ser uma criação do governo americano, o democrata decidiu dar um fim à sua união com a Trinity, temendo pelo futuro de sua candidatura.

A ruptura entristeceu os seguidores da Trinity, mas não arrefeceu o entusiasmo deles pela candidatura daquele que foi até recentemente seu mais célebre fiel.

Mas o episódio também fez com que os freqüentadores da Trinity desenvolvessem uma forte desconfiança da mídia. Após a divulgação das imagens do ex-pastor, a igreja passou a proibir a utilização de câmeras digitais ou de filmagem e de gravadores durante as missas.

Aversão à mídia

Por instrução das autoridades da Trinity, os fiéis evitam ou se negam a dar entrevistas.

Uma das poucas seguidoras que concordou em falar com a BBC Brasil foi Adrianne Smith, que trazia um broche com o nome do candidato democrata preso a seu blazer.

Segundo ela, as frases de Wright expostas nas TVs americanas foram tiradas de contexto e representaram ''uma tentativa deliberada por parte da mídia de sabotar a campanha de Obama''.

Adrianne afirma que mesmo após a igreja ter sido caracterizada como um local de incitação de ódio racial, a comunidade não se deixou afetar pelas críticas contundentes.

''Eu venho a essa Igreja há 22 anos, assim como muitos aqui. Temos fé de verdade. Por isso, muitas das coisas que disseram por aí não foram capazes de nos ferir. Pelo contrário, nos fez mais fortes''
Ela acredita que a separação entre Obama e a Trinity não é definitiva. ''Um dia esse laço será reatado'', comenta.

Outra fiel, Fay, que não quis dar seu sobrenome, afirmou que a perda de Obama entristeceu à comunidade.

''Porque ele não se distanciou apenas do reverendo Wright, mas sim de toda a congregação. Foi algo que ele se viu obrigado a fazer por conta da pressão da mídia'', comentou.

Clima festivo

Mas apesar dos lamentos pela perda do seguidor famoso, durante os cultos, o clima que prevalece ainda é festivo. A grande maioria dos fiéis da Trinity é negra, mas há brancos entre os freqüentadores e até no coral, que conta com mais de 130 vozes.

Os coristas interpretam salmos entre um e outro pronunciamento do reverendo Moss. A parte musical da missa conta ainda com maestro, dois vocalistas, guitarra, baixo, bateria, dois sintetizadores, piano, órgão, clarinete e percussão.

As canções interpretadas provocam por vezes momentos catárticos, com a platéia acompanhando a música levantando os braços, dançando e até acompanhando o ritmo com pandeiros.

Moss é um pastor jovem e carismático, que recheia seus sermões ora com tiradas bem-humoradas, que despertam sonoras gargalhadas, ora com comentários políticos, que suscitam palmas e gritos.

Se dirigindo aos convidados, como os repórteres internacionais presentes ao culto do domingo, Moss frisa que a Trinity é um lugar de afeto, não de ódio. ''Se você não gosta de ganhar abraços, então veio ao lugar errado'', afirma, para em seguida conclamar cada um dos presentes a abraçar a pessoa ao lado.

Comentários políticos

Mas o reverendo não perde a chance de fazer contundentes alusões à política contemporânea americana, mesmo quando cita passagens bíblicas.

Ele lembra o trecho do Velho Testamento em que o rei Davi deliberadamente manda o soldado Uriah para uma guerra perdida, a fim de se apoderar da mulher dele, Betsabá.

Moss diz que com sua falsidade, o rei Davi colocou o seu reino em perigo. "É preciso que um líder esteja disposto a contar a verdade. Nós precisamos de contadores de verdades. Alguém que diga que se você invadir um país, 40 mil pessoas irão morrer.''

Sem dar nome aos bois, todos os fiéis sabem que a metáfora do reverendo se refere ao presidente George W. Bush e à guerra do Iraque.

Da mesma forma, os seguidores da Trinity sabem que Moss está torcendo pelo êxito de Barack Obama quando pede a Deus que ''proteja esta nação, que vive um momento único em sua história''.

Ou quando anuncia que na quarta-feira, o dia seguinte à eleição presidencial, a Trinity estará promovendo um culto no qual ''rezaremos por nosso país, coletivamente, como uma família''.

Porque assim, acrescenta o pastor, ''seremos capazes de construir um mundo em comunhão, de amor''.

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