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Escala Richter só é usada em eventos menores, diz especialista

O leitor que vem acompanhando a cobertura sobre o terremoto no Haiti pode se estar se perguntando por que às vezes se fala em pontos na escala Richter, outras em pontos de magnitude e variações sobre o tema. No entanto, a chamada escala Richter há décadas não é mais usada por especialistas para medir tremores de grande porte como o que aconteceu no Haiti.

BBC Brasil |

"Na prática, sismologistas usam várias escalas diferentes e simplesmente reportam a 'magnitude' do evento, sem tentar explicar as complicações (por trás do cálculo)", afirmou à BBC Brasil o especialista Douglas Given, da agência americana de pesquisas geológicas (USGS).

Hoje em dia, os resultados apenas falam em magnitude, em uma escala aberta (não de zero a dez). No entanto, na prática é impossível - devido ao tamanho das falhas e à distância que os deslocamentos que causam o tremor podem ter - registrar-se magnitudes acima de 9,5.

Ele afirma que tecnicamente, jamais sequer existiu uma escala Richter, mas sim um método chamado "magnitude local" (ML), desenvolvido na década de 30 pelos sismólogos Charles Richter e Beno Gutenberg para facilitar a comparação entre eventos de diferentes proporções.

Momento do tremor
A metodologia foi sendo aperfeiçoada, e Given explica que na década de 60, percebeu-se que os parâmetros usados no cálculo da ML não eram suficientes.

Cientistas começaram então a calcular o "momento" (M0) - uma medida da energia liberada pelo terremoto no momento do tremor. Para fazer este cálculo, os sismologistas levam em consideração a área da falha e do deslocamento que causou o tremor.

Este cálculo, entretanto, também foi aperfeiçoado em 1979 por Hiroo Kanamori e Tom Hanks, que "traduziram" os resultados obtidos por M0 para o sistema ML, na época já popularizado como "escala Richter".

A nova medida que surgiu a partir dessa inovação é conhecida como "magnitude momento" (Mw).

Mas isso, segundo Givens, não significa que a "escala Richter" esteja aposentada.

"A 'escala Richter' (ML) não está morta, ela ainda é usada para eventos menores. A ML foi baseada em leituras obtidas de um tipo de instrumento que não era capaz de medir a energia de ondas mais longas produzida por eventos maiores", afirmou Given.

Por isso, a ML não é capaz de produzir resultados maiores do que 6,7.

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