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Efeito dominó da crise mundial afeta indústrias da China

O Delta do Rio das Pérolas, região industrial no sul da China, está enfrentando sucessivos fechamentos de companhias e demissões de milhares de trabalhadores, uma situação que a imprensa estatal já apelidou de efeito dominó. Com a queda nas exportações aos Estados Unidos e Europa em meio à crise internacional, empresas chinesas estão fechando as portas e demitindo milhares de empregados.

BBC Brasil |

"O efeito dominó parece estar tomando conta da região do Rio das Pérolas", afirmou em matéria publicada nesta quarta-feira o jornal China Daily, que é de propriedade do governo.

Em apenas uma semana, diversas companhias com ações listadas na bolsa de Hong Kong que operavam fábricas na região do Delta encerraram atividades.

Falidas
Entre as firmas falidas está a BEP International Holding, produtora de aparelhos elétricos, a Gangsheng Electronic, fabricantes de eletrônicos, e a Peace Mark Holdings, que fazia relógios; todas companhias que eram consideradas sólidas e surpreenderam o mercado ao fechar as portas.

O nível de produção das indústrias da China atingiu em setembro o volume mais baixo dos últimos seis anos, registrando queda de 11,4% em relação ao mesmo período do ano passado.

Estima-se que em parte isso se deva ao congelamento das linhas de produção durante a época dos Jogos Olímpicos, mas há indícios de que o fechamento das fábricas no Delta também pesa nessa estatística.

Um estudo da Federação de Indústrias de Hong Kong concluiu que, das 65 mil empresas de capital de Hong Kong que operam fábricas no sul da China, 10 mil delas já fecharam as portas desde o começo do ano.

O mesmo levantamento sugere que 2,5 milhões de empregos serão perdidos nos próximos três meses.

Brinquedos
Somente no segmento de brinquedos mais de sete mil chineses ficaram desempregados com o fechamento da gigante Smart Union, que desativou duas de suas instalações.

A Smart Union deixou milhares de trabalhadores sem receber pagamento, o que desencadeou uma onda de protestos em frente aos prédios do governo na província de Guangdong.

Em entrevista ao jornal Guangzhou Daily, o vice-diretor da Associação dos Fabricantes de Brinquedos da cidade de Dongguan, Wang Zhiguang afirmou que 50% das indústrias desse setor vão fechar nos próximos anos.

"Das cerca de 3,8 mil fábricas de brinquedos de Dongguan, não mais de 2 mil serão capazes de sobreviver nos próximos anos", afirmou Wang.

"As feiras andam meio paradas em comparação a antes e é visível que não há tantos compradores americanos. O mercado está nitidamente se retraindo", disse à BBC Brasil Iza Rainbow, brasileira comerciante que lida com exportações de brinquedos.

Junto com o segmento de brinquedos, têxteis e roupas deverão ser os mais afetados por dependerem fortemente da demanda de exportação.

Na segunda-feira o porta-voz do Departamento Nacional de Estatísticas, Li Xiaochao, afirmou que o governo vai tomar providências para estimular esses setores industriais de trabalho intensivo com cortes nos impostos.

O anúncio veio em meio à divulgação da desaceleração do crescimento da China.

O crescimento do PIB desacelerou para 9% no terceiro trimestre, baixando de 10,1% dos três meses anteriores e acompanhando a tendência negativa que começou no fim do ano passado.

Previsões de diversos bancos estimam que em 2009 a economia chinesa não se expandirá mais do que 8%.

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