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Carrasco de Srebrenica trabalhava como terapeuta de medicina alternativa

Radovan Karadzic, o ex-dirigente sérvio-bósnio acusado de genocídio e detido na noite de segunda-feira em Belgrado, utilizava uma identidade falsa e trabalhava como terapeuta de medicina alternativa numa clínca particular da capital sériva, informou nesta terça-feira o promotor sérvio para os crimes de guerra, Vladimir Vukcevic.

AFP |

"Karadzic possuía documentos falsos sob o nome de Dragan Dabic e foi muito convincente ao dissimular sua verdadeira identidade. Ele ganhava a vida como terapeuta de medicina alternativa e seu último endereço era Novi Belgrado (bairro da capital sérvia situado às margens do rio Sava)", informou Vukcevic.

Rasim Ljajic, o ministro sérvio encarregado da cooperação com o Tribunal Penal Internacional (TPI), mostrou à imprensa uma fotografia de Karadzic, que se aparece com uma longa barba branca e cabelos brancos.

Um juiz de instrução concluiu na manhã desta terça-feira um interrogatório preliminar do ex-líder político, o que constitui o passo para sua extradição para o Tribunal Penal Internacional (TPI) de Haia, informou a agência Beta news.

"O interrogatório terminou", declarou o juiz de instrução Milan Dilparic, citado pela agência. Dilparic se negou, entretanto, a revelar maiores detalhes sobre o conteúdo da audiência, classificando-a de "confidencial".

Segundo o advogado de Radovan Karadzic, Svetozar Vujakic, citado pela Beta news, o ex-líder político dos sérvios da Bósnia declarou que havia sido "detido na sexta-feira em um ônibus", em Belgrado, e que desde então é mantido "detido em uma cela".

Radovan Karadzic, que teria classificado a situação de "farsa", havia utilizado seu "direito de se manter em silêncio durante o interrogatório", segundo Vujakic.

O advogado de Radovan Karadzic afirmou que o ex-líder político dos sérvio-bósnios, que foi examinado por um médico, estava tranqüilo durante o interrogatório, e acrescentou que este permaneceria em uma unidade de detenção especial do tribunal sérvio encarregado de julgar os crimes de guerra, à espera de sua extradição para o TPI, em Haia.

Segundo as normas jurídicas sérvias, a audiência preliminar é o primeiro passo no processo que é concluído com a extradição do suspeito para o Tribunal Penal Internacional.

Em um prazo de três dias, o juiz vai decidir se o acusado cumpre ou não as condições para ser enviado ao tribunal de Haia. Karadzic tem direito de apelar da decisão em um período de três dias.

O colégio de juízes do tribunal que julga os crimes de guerra em Belgrado tem três dias para se pronunciar sobre a extradição.

Depois, o acusado não tem direito a outra apelação e o Ministério da Justiça pode tomar a decisão de enviá-lo ao TPI.

Karadzic, o ex-chefe político da República Srpska, a entidade servo-bósnia durante a guerra dos Bálcãs, e seu braço direito militar, Ratko Mladic, ainda foragido, são considerados os principais responsáveis pelo genocídio de Srebrenica, na Bósnia, que matou quase 8.000 pessoas em 1995. Trata-se do pior massacre cometido na Europa desde o fim da Segunda Guerra Mundial.

Ele também era procurado por seu papel no cerco a Sarajevo, que durou 43 meses e no qual morreram 10 mil civis.

O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, qualificou de "momento histórico" a prisão de Karadzic, acusado de genocídio.

Este é "um momento histórico para as vítimas, que esperaram 13 anos para ver Karadzic ser levado à Justiça", disse Ban em um comunicado.

As "Mães de Srebrenica", que perderam maridos e filhos em 1995, durante o massacre de quase 8 mil jovens e homens muçulmanos pelas forças servo-bósnias, saudaram a prisão de Karadzic.

"Finalmente foi feita justiça. O criminoso será finalmente confrontado com seus atos", declarou à AFP, em Sarajevo, uma dirigente do grupo.

"O que ocorreu esta noite mostra que um criminoso não pode se esconder para sempre", disse Kada Hotic, que perdeu o marido no massacre de Srebrenica.

O TPI ainda procura, além de Ratko Mladic, o ex-líder dos sérvios na Croácia, Goran Hadzic.

afp/dm/cn

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