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Capacidade da mulher é colocada em cheque em disputa israelense

A campanha pelas prévias do partido governista de Israel, o Kadima, virou uma polêmica sobre a questão se uma mulher teria as qualificações necessárias para liderar um país com tantos problemas de segurança. A candidata favorita para liderar o partido e atual ministra das Relações Exteriores, Tzipi Livni, tem sido alvo de críticas de seus adversários, que se concentram principalmente no fato de que, como mulher, Livni não teria a experiência necessária para conduzir o país em momentos de crise.

BBC Brasil |

Os principais candidatos que deverão disputar as prévias do partido Kadima, no dia 17 de setembro, são Tzipi Livni e o ministro dos Transportes, Shaul Mofaz.

De acordo com as últimas pesquisas, a maioria dos 73 mil membros do partido deverá votar em Livni.

Formada em advocacia, Livni trabalhou 4 anos no Mossad (serviço de inteligência de Israel) e foi tenente do Exército israelense.

Seu adversário, Mofaz, é general da reserva e já foi Chefe do Estado Maior do Exército israelense e ministro da Defesa.

"Livni não teria a experiência necessária para conduzir o país", afirmou Mofaz, "um líder de um país como Israel deve ter muita experiência em assuntos de segurança".

O vencedor das prévias do Kadima tem grandes chances de vir a ser o próximo primeiro-ministro de Israel.

Coalizão
Depois que o atual primeiro-ministro, Ehud Olmert, também do Kadima, anunciou que não pretende concorrer às prévias, a previsão dos analistas locais é de que o vencedor em setembro deverá formar uma nova coalizão governamental, liderada pelo Kadima, com a participação do Partido Trabalhista e do Partido dos Aposentados.

O líder do Partido Trabalhista, Ehud Barak, que como Mofaz é um general da reserva, também criticou Tzipi Livni.

Deformando o nome da ministra, Barak perguntou "vocês gostariam que a Tzipora atendesse o telefone às 3 da madrugada?".

"Ela nem sabe analisar uma foto aérea", afirmou Barak, que, como líder do Partido Trabalhista, deverá ser adversário de Livni nas eleições para o cargo de primeiro-ministro, se ela for eleita para chefiar o Kadima.

Defesa
O escritor Kobi Niv, em artigo no jornal Maariv, saiu em defesa de Tzipi Livni.

"Quem vocês gostariam de ter na liderança do país, homens como Barak ou Mofaz, que passaram a vida inteira no Exército e só se empenharam em destruir e matar?", pergunta o escritor.

"Ou homens e mulheres cuja visão do mundo é maior do que tanques e mísseis, e também inclui temas como vida, pão, educação e crianças?", continua Niv.

"Eu, certamente não gostaria de ter um homem de horizontes estreitos e que despreza mulheres, como Ehud Barak, na liderança", concluiu.

Em Israel houve apenas uma mulher, Golda Meir, que chegou ao cargo de primeiro-ministra.

Golda Meir, que foi premiê de Israel nos anos 1969-1974, é considerada a mulher mais importante na política do país, seguida por Shulamit Aloni, que já serviu em vários ministérios e acompanhou a história de Israel desde sua fundação.

Aloni, que tem cerca de 80 anos, foi a fundadora do partido social-democrata Meretz e também fundou o primeiro movimento pela igualdade de direitos da mulher, nos anos 70.

'Mil vezes melhor'
Shulamit Aloni não votaria em Tzipi Livni, pois suas posições politicas são à esquerda do partido de centro Kadima, porém afirmou que Livni "é mil vezes melhor do que todos os homens e generais que são seus adversários".

"Livni tem o que Shaul Mofaz e Ehud Barak não têm", disse Shulamit Aloni à BBC Brasil, "a capacidade de ouvir, aprender e fazer as perguntas certas".

"Ela é uma jurista experiente, sabe o que significa a democracia e não é racista e arrogante como seus adversários", acrescentou.

"Shaul Mofaz foi Chefe do Estado Maior e ministro da Defesa e é o principal responsável pelas falhas do exército na guerra do Líbano", disse Aloni.

Sobre o ex-primeiro ministro, Ehud Barak, Aloni afirmou que "seu governo foi um fracasso total".

"É verdade que Barak foi o soldado mais condecorado do Exército de Israel, mas isso não o torna um bom primeiro-ministro. Talvez ele tenha talento para liderar uma ação militar, mas sabemos que ele não tem talentos para liderar um país".

E sobre a capacidade de uma mulher liderar um país com tantos problemas de segurança, Aloni afirmou que "as mulheres são capazes de fazer tudo".

"Aliás, grande parte dos nossos problemas de segurança são por culpa desses homens que pensam que sabem tudo e conduziram uma política agressiva e expansionista e permitiram a expansão dos assentamentos nos territórios ocupados", concluiu Aloni.

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