Após vitória, Humala enfrenta incertezas no mercado financeiro

Queda recorde de 12,51% força fechamento antecipado de Bolsa de Valores de Lima duas horas antes de fim do pregão

iG São Paulo |

Ollanta Humala, que venceu no domingo o segundo turno das eleições presidenciais no Peru, enfrenta desde esta segunda-feira um desafio duplo: dar sinais de uma reconciliação política num país polarizado e tranquilizar os mercados, cuja forte queda em reação à sua vitória provocou o fechamento antecipado das operações da Bolsa de Valores de Lima. Com queda de 12,51%, a maior de sua história, a Bolsa de Valores de Lima fechou duas horas antes do pregão normal.

Investidores e líderes empresariais temem que ele aumente o controle estatal da economia, abandone a disciplina fiscal, renegue acordos de livre comércio e ponha em perigo o recente sucesso econômico do país por meio de políticas intervencionistas e aumento dos gastos sociais.

AP
Preidente eleito do Peru, Ollanta Humala, fala em comício em Lima para partidários depois de vencer segundo turno eleitoral
Com 48 anos, Humala proclamou na noite de domingo para segunda-feira sua vitória eleitoral. Sua adversária, a deputada direitista Keiko Fujimori, do Força 2011, reconheceu sua derrota após o Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE) indicar que, com 90,5% dos votos apurados, Humala, candidato pela Ganha Peru, alcançou 51,36% dos votos, enquanto ela obteve 48,63%.

Keiko, de 36 anos, era a favorita dos investidores, mas muitos eleitores votaram contra ela porque seu pai, Alberto Fujimori, está cumprindo pena de 25 anos de prisão por corrupção e por recorrer a esquadrões da morte para reprimir suspeitos de esquerdismo no período em que foi presidente, nos anos 1990.

Em meio a um clima de incerteza, as operações na Bolsa de Lima foram suspensas durante duas horas logo após terem sido abertas em queda de 8,71% , sendo os principais afetados os títulos das empresas mineradoras: a Austral chegou a cair 17,8%, enquanto a Atacocha 15,6% e a Volcán, 15%.

Por volta do meio-dia as atividades foram reabertas, mas voltaram a fechar duas horas antes do fim do pregão por causa da queda de 12,51%. Pedro Pablo Kuczynski, candidato conservador derrotado no primeiro turno e ex-ministro de Economia, havia advertido para problemas no setor de mineração, referindo-se a uma proposta de Humala de aplicar um imposto extraordinário sobre os lucros das empresas mineradoras, um aspecto central do programa de governo.

A queda da Bolsa era previsível. No domingo, Félix Jiménez, arquiteto do projeto econômico de Humala, afirmou que o Banco Central da Reserva (BCR-Central) e o ministro da Economia deveriam tomar medidas para evitar o caos financeiro nesta segunda-feira.

O responsável pela diplomacia dos EUA para a América Latina, Arturo Valenzuela, anunciou durante o dia que Washington estava " disposto a trabalhar com ele (Humala), como vínhamos trabalhando com as autoridades do Peru".

Antes mesmo do fim da apuração oficial, aumenta a pressão para que Humala anuncie os nomes dos que ocuparão os cargos de primeiro-ministro e ministro da Economia. A analista Cecilia Blume afirmou nesta segunda-feira que "o presidente eleito tem de divulgar logo os nomes dos que ocuparão a direção do BCR, assim como os cargos de ministro da Fazenda e primeiro-ministro".

As incertezas do mercado têm relação com o fato de que, na eleição presidencial de 2006, Humala recebeu um forte apoio do presidente venezuelano Hugo Chávez, assustando o setor privado. Apesar de Humala ter-se distanciado de Chávez e apresentado um programa moderado, as propostas iniciais de estatização e reforma da Constituição causaram desconfiança sobre suas verdadeiras intenções.

Na noite de domingo, Humala se mostrou conciliador no discurso da vitória diante de milhares de partidários reunidos na praça 3 de maio em Lima. Prometeu dar "continuidado ao crescimento econômico, e que este será o grande motor do desenvolvimento social do país", tentando tranquilizar os investidores.

Disse também que seu governo convocará "os melhores técnicos independentes para poder fazer um governo de base ampla, em que ninguém se sinta excluído". No entanto, nesta segunda-feira, seu vice, Omar Chehade, provocou temores de que a polarização aumente ao declarar que o ex-presidente  Fujimori, que desde 2009 cumpre uma sentença de 25 anos numa unidade policial em Lima, deve ir para uma penitenciária comum.

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*Com AFP e Reuters

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