Após vitória eleitoral, direita portuguesa quer mais austeridade

Futuro primeiro-ministro português Pedro Passos Coelho prometeu ocupar-se o quanto antes das reformas exigidas pela UE e FMI

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Passos Coelho, do PSD, vota na eleição em Portugal, na manhã de domingo
O futuro primeiro-ministro português Pedro Passos Coelho prometeu ocupar-se o quanto antes das reformas exigidas pela União Europeia (UE) e pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), e anunciou mais austeridade para que Portugual "não seja um peso" para seus credores, depois das eleições que deram ampla maioria para a direita .

Pela primeira vez desde o advento da democracia em 1974, a direita portuguesa concentra todo o poder com um presidente, um governo e uma maioria parlamentar nas mãos do Partido Social Democrata (PSD).

Em sua primeira declaração após a vitória, Passos Coelho lançou uma mensagem tranquilizadora aos credores de Portugal, que acaba de negociar um empréstimo de 78 bilhões de euros com a UE e o FMI em troca de um exigente programa de austeridade de três anos.

"Farei de tudo com o objetivo de garantir que Portugal não seja um peso para os países que nos emprestaram o que necessitávamos para assumir nossas responsabilidades e nossos compromissos", declarou Passos Coelho. Fiel à sua crença de "transparência" e de "dizer a verdade", o líder social-democrata previu "anos muito difíceis" aos portugueses, a quem anunciou novos sacrifícios "por conta das circunstâncias".

Passos Coelho terá de esperar até o fim de junho ou início de julho para formar um governo e começar a trabalhar. O processo de sua nomeação como primeiro-ministro começará depois da publicação oficial dos resultados em 15 de junho. Passos Coelho terá menos de um mês para preparar a primeira "inspeção" da "Troika" - representantes da UE, do FMI e do Banco Central Europeu (BCE) - prevista para o fim de julho.

Até essa data, o próximo governo terá de decidir novas medidas de austeridade para compensar a diminuição "substancial" dos encargos patronais destinados a aumentar a competitividade das empresas.

Além disso, terá de encontrar um comprador para o banco BPN e acabar com as chamadas "golden shares" ("ações especiais") e direitos especiais do Estado nas empresas que cotam em bolsa. O futuro governo terá de preparar também novas medidas de austeridade para 2012 e iniciar reformas estruturais para dinamizar a economia, cujo PIB deve diminuir, segundo as previsões, em torno de 2% em 2011 e 2012.

Sobretudo, o novo governo terá de acelerar o ritmo das privatizações, começando pela companhia aérea TAP, cujos trabalhadores ameaçam com uma greve de 15 dias. Nos mercados financeiros, a vitória de Passos Coelho foi recebida muito favoravelmente nesta segunda-feira de manhã.

"Trata-se de um resultado positivo na medida em que um governo majoritário é uma condição necessária para o êxito do programa UE-FMI", afirmou a Barclays Capital em nota de análise. O Banco Espírito Santo de Investimento (BESI) cumprimentou, por sua vez, a vontade "de Passos Coelho de ir além das medidas previstas para restaurar a credibilidade de Portugal e a confiança dos mercados".

Os portugueses, no entanto, não dividem o entusiasmo do mercado financeiro, como prova o recorde de 41% de abstenção, a mais alta desde o início do ciclo democrático, em 1974.

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