Após vitória de Humala, Bolsa de Valores de Lima abre em queda

Mercado aguarda sinais claros de que o atual modelo econômico continuará após vitória de nacionalista de esquerda no Peru

iG São Paulo |

A Bolsa de Valores de Lima registrou nesta segunda-feira uma queda de 12,23% no meio do dia como reação à vitória do nacionalista Ollanta Humala nas eleições presidenciais do Peru. A forte queda de 8,71% no início das operações provocou a suspensão das operações na bolsa por duas horas e meia.

O Índice Geral (IGBVL), principal indicador que mede o desempenho das 36 empresas de maior importância no pregão da capital, registrou queda de 2.595,99 pontos. Hernando Pastor, da agência Kallpa Securities SAB, disse que os investidores vivem momentos de pânico, e o mercado aguarda sinais claros de que o atual modelo econômico continuará.

O mercado de ações peruano e a moeda do país, o sol, caíram à medida que Humala subia nas pesquisas. Investidores e líderes empresariais temem que ele aumente o controle estatal da economia, abandone a disciplina fiscal, renegue acordos de livre comércio e ponha em perigo o recente sucesso econômico do país por meio de políticas intervencionistas, aumento dos gastos sociais.

AP
Preidente eleito do Peru, Ollanta Humala, fala em comício em Lima para partidários depois de vencer segundo turno eleitoral
Keiko Fujimori, de 36 anos, era a favorita dos investidores, mas muitos eleitores votaram contra ela porque seu pai, Alberto Fujimori, está cumprindo pena de 25 anos de prisão por corrupção e por recorrer a esquadrões da morte para reprimir suspeitos de esquerdismo no período em que foi presidente, nos anos 1990.

O militar reformado Humala, da coalizão esquerdista Ganha Peru, derrotou a deputada direitista, da Força 2011, no segundo turno da votação, realizado no domingo. De acordo com dados do Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE, na sigla em espanhol), com 88,4% das urnas apuradas, Humala alcançou 51,2% dos votos válidos, enquanto Keiko 48,7%. A posse do novo presidente, que sucederá Alan García, ocorre em 28 de julho.

Especialistas afirmam que, com a contabilização dos resultados das urnas de zonas rurais, a diferença tende a aumentar, uma vez que as regiões mais afastadas dos grandes centros concentram um eleitorado maior de Humala.

O escritor peruano e Prêmio Nobel de Literatura 2010, Mario Vargas Llosa, afirmou, por sua vez, que o "triunfo" de Humala não representa um "perigo" para o "desenvolvimento econômico" ou para a estabilidade política do Peru.

"O triunfo de Humala, ao contrário do que dizem seus adversários, não põe em perigo o desenvolvimento econômico. Creio que ele já deu muitas provas, principalmente no segundo turno, de que respeitará a democracia política, a economia de mercado e a propriedade privada", disse o escritor, Nobel de Literatura de 2010.

Llosa também recomendou que Humala tente amenizar a polaridade política do Peru, confirmada no segundo turno das eleições com seus resultados acirrados. "Acho que (Humala) deve multiplicar os gestos para reconciliar essas adversidades, mostrando que foi eleito presidente do Peru, e não presidente dos humalistas", afirmou.

Tom conciliatório

Em seu primeiro pronunciamento após a confirmação de sua vitória, Humala adotou um tom conciliatório, prometendo que os pobres participarão do boom econômico do país. "Queremos instalar um governo de unidade nacional", disse Humala, de 48 anos, a milhares de partidários que o saudavam, depois de uma campanha eleitoral disputada, que fez ressurgir duras recordações do caótico passado político do Peru.

Uma das economias que mais cresceram no mundo na última década, o Peru é um grande exportador de metais, mas um terço de sua população está mergulhada na pobreza. Humala fez campanha prometendo distribuir mais a nova riqueza do país.

"Queremos crescimento econômico com inclusão social", disse ele em uma concentração no centro de Lima, que se estendeu pelas primeiras horas da madrugada desta segunda-feira. "Podemos construir um Peru mais justo para todo mundo", declarou aos partidários que agitavam a bandeira vermelha e branca do Peru e faixas nas cores do arco-íris, símbolo dos indígenas.

Algumas pessoas dançavam, eufóricas, e outras gritavam "Humala Presidente! e "Fujimori nunca mais". Humala perdeu por pequena margem a eleição presidencial de 2006. Depois disso, suavizou suas propostas políticas, que eram mais radicalmente anticapitalistas, para tentar obter os votos dos eleitores mais centristas.

Humala promete governar com um orçamento equilibrado, incluir tecnocratas experientes no governo e respeitar os investidores estrangeiros que planejam investir na próxima década US$ 40 bilhões em projetos petrolíferos e de mineração no Peru.

Ele também prometeu dar aos pobres uma maior fatia dos recursos naturais do Peru. "É o fim do tradicional poderoso empresário de direita", afirmou Cesar Lecca, um acadêmico que considera que Humala amadureceu. Quando era integrante do Exército, Humala liderou uma revolta fracassada contra Fujimori, em 2000. Ele criticou sua rival, durante a campanha, por ter trabalhado no governo autoritário de seu pai.

*Com Reuters, EFE e Ansa

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