Após vitória, Correa já trabalha em processo de transição constitucional

Quito, 29 set (EFE).- Com uma nova vitória eleitoral, o presidente equatoriano, Rafael Correa, começa a trabalhar no processo de transição constitucional, visando aos próximos pleitos presidenciais.

EFE |

Os mais recentes dados oficiais do Tribunal Supremo Eleitoral (TSE) destacam que com 82,40% dos votos apurados, o "sim" lidera a contagem em nível nacional com 64,02% da preferência, o que representa 3.849.392 de votos.

Por outro lado, o "não" ao projeto de nova Constituição tem 28,14%, ou seja, 1.691.746 votos.

A quantidade de votos nulos está em 7,17% (430.919) e em branco, 0,68 % (40.762), com um índice de abstenção médio de 23%.

Embora no domingo as pesquisas oficiais tenham apontado que o "sim" vencia o "não" também em Guayaquil, centro da tensão política dos últimos dias, os dados preliminares mostram hoje uma pequena vantagem para a rejeição à Carta.

De acordo com o TSE, quando apuradas 91,63% das juntas eleitorais em Guayaquil, o "não" tinha 47,01% (506.805), seguido de perto pelo "sim", com 45,66% (492.230). Os votos nulos chegaram a 6,83% (73.691) e os brancos, a 0,50% (5.421).

O presidente do TSE, Jorge Acosta Cisneros, espera ter, pelo menos até amanhã, o resultado total. Porém, ele advertiu hoje que a votação dos eleitores no exterior ainda está atrasada.

Para o chefe de Estado, os resultados revelam um triunfo contundente das teses do Governo, que tem como um dos objetivos principais desde a campanha presidencial de 2006 a redação de uma nova Carta Magna que firme bases para acabar com o que ele chama de "a longa noite neoliberal".

Em encontro com a imprensa estrangeira no qual insistiu sobre a necessidade de diálogo no Equador, Rafael Correa pediu hoje que "a elite reflita e deixe o país avançar em paz".

Perguntado se vai se candidatar por seu partido, o Alianza País, às eleições presidenciais e gerais previstas, segundo a nova Constituição, para o primeiro trimestre de 2009, Correa disse que está disposto a servir à pátria, embora tenha afirmado que não tem "interesse no poder".

Enquanto alguns políticos começaram os cálculos visando a estas eleições, as chamadas ao diálogo feitas por Correa já estão dando frutos com a ratificação do opositor Jaime Nebot, prefeito de Guayaquil, de sua disposição para conversar caso o convidem.

O presidente da Assembléia Constituinte, Fernando Cordero, avançou hoje nesse sentido ao chamar Nebot para dialogar em Quito e demonstrar que o centralismo, temido pelo prefeito, ficou "enterrado" com a aprovação da 20ª Carta Magna do país.

Nebot reafirmou hoje que aceita o resultado das urnas, mas insistiu que fará respeitar "o modelo de desenvolvimento" de sua cidade e as competências das prefeituras, sem que isso cause, segundo ele, separatismo.

Os indígenas, que antes do referendo anunciaram um "sim crítico" ao processo, afirmaram hoje que vão conversar com o Executivo, para quem apresentarão novas propostas.

Representantes da Igreja Católica, que era contrária à Carta Magna por considerá-la "abortista", se mostraram abertos ao diálogo caso o Governo os chame para tentar uma conciliação.

Enquanto isso, a Assembléia Constituinte espera os resultados oficiais para designar a Comissão Legislativa que estará à frente do processo de transição até as novas eleições presidenciais e gerais.

EFE sm/rb/rr

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG