Após vitória apertada, Livni tentará compor coalizão

A ministra do Exterior de Israel, Tzipi Livni, venceu as prévias do partido Kadima com uma vantagem de apenas 1,1% sobre seu adversário, o atual ministro dos Transportes e ex-chefe do Estado Maior, Shaul Mofaz.

BBC Brasil |

A vitória apertada no partido deverá dificultar as tentativas de Livni de compor uma nova coalizão governamental, condição necessária para que ela se torne a próxima primeira-ministra de Israel.

Ao contrário de todas as pesquisas, que previam uma vantagem significativa, de pelo menos 10% em favor de Tzipi Livni, a diferença entre os votos obtidos pela chanceler e os de seu adversário, o general da reserva Shaul Mofaz, foi mínima, apenas 1,1% - cerca de 430 votos.

Os simpatizantes de Mofaz acusam Livni de ter "roubado" a eleição, por ter conseguido um prolongamento de meia hora no horário da abertura das urnas.


Livni faz campanha antes da votação / AP

Logo depois da confirmação dos resultados, Livni declarou que sua primeira missão será unificar o partido para criar uma "estabilidade política" no país.

"Temos várias ameaças para enfrentar", disse Livni, "além da instabilidade econômica... tentarei formar rapidamente uma coalizão que possa se confrontar com esses desafios".

Coalizão

A vitória controvertida de Livni deverá dificultar ainda mais seus esforços para compor uma nova coalizão governamental.

De acordo com a lei em Israel, depois da renúncia do atual primeiro-ministro, Ehud Olmert, prevista para a próxima semana, o presidente Shimon Peres deverá incumbir a nova líder do Kadima a formar uma nova coalizão e Livni terá 28 dias para compor um governo que tenha o apoio de pelo menos 61 entre os 120 membros do Parlamento.

Livni terá que negociar os termos da nova coalizão com os partidos que participam do governo atual - o Partido Trabalhista, o partido ultra-ortodoxo Shas e o partido dos Aposentados.

A negociação mais problemática deverá ser com o Shas, que exige a revisão do orçamento de 2009 e o acréscimo de verbas para benefícios a famílias numerosas.

A maioria dos eleitores do Shas tem famílias numerosas que sofreram com os cortes realizados nos benefícios sociais.

Além das dificuldades dentro de seu próprio partido, com uma forte oposição dos simpatizantes de Mofaz, e das dificuldades previstas nas negociações com os outros partidos, o fato de Livni ser a segunda mulher que chega ao poder em Israel (a primeira foi Golda Meir, que foi primeira-ministra de 1969 a 1974) deverá ser um problema a mais para a chanceler de Israel.

Durante a campanha, Livni foi acusada de não ter "experiência em assuntos de segurança", como os generais da reserva Mofaz e Ehud Barak, líder do partido Trabalhista.

'Revolução'

Para a escritora Avirama Golan, a vitória de uma mulher, que em breve poderá ser a primeira-ministra de Israel, representa uma "revolução" no país.

"O significado é que em Israel ocorrem processos semelhantes àqueles que já aconteceram no mundo inteiro, nos quais chegam ao poder pessoas que há 20 ou 30 anos não tinham chance... como mulheres, membros de grupos marginalizados, filhos de imigrantes ou de famílias pobres", escreve Golan em artigo no jornal Haaretz.

Se conseguir formar uma nova coalizão governamental, Livni deverá seguir a linha política de Ehud Olmert e tentar seguir adiante com as negociações de paz com os palestinos.

Seu principal adversário nas prévias do Kadima, Shaul Mofaz, criticou as negociações.

Leia mais sobre Israel

    Leia tudo sobre: israel

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG