Após visita de Clinton, Coreia do Norte liberta jornalistas americanas

SEUL - O líder Kim Jong-il concedeu perdão especial às duas jornalistas americanas presas na Coreia do Norte e ordenou que elas sejam libertadas, segundo informou nesta terça-feira a agência estatal de notícias do país.

Redação com agências internacionais |


A decisão foi divulgada depois de um encontro entre Kim Jong-il e o ex-presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, ocorrido nesta terça-feira. A rede de televisão ABC informou, citando uma fonte oficial não identificada, que Clinton teria se reunido com as duas jornalistas.

Fontes do governo em Washington disseram à ABC que o ex-presidente e as duas mulheres podem deixar a Coreia do Norte nas próximas horas e chegar aos EUA na quarta-feira.

As duas jornalistas da Current TV, co-fundada pelo vice-presidente de Clinton, Al Gore, foram presas na fronteira da Coreia do Norte com a China em março deste ano, acusadas de entrar ilegalmente no país e por serem "propensas a difamação". No mês passaso, um tribunal norte-coreano sentenciou cada uma a 12 anos de trabalho duro, pelo que considerou crimes graves.

Muitos analistas afirmaram que Pyongyang pode usar as jornalistas como moeda de troca com Washington, que liderou a pressão sobre o Conselho de Segurança da ONU para aumentar as sanções sobre a Coréia do Norte após um teste nuclear em maio.

"Há a possibilidade de uma enorme virada da Coreia do Norte que pode levar a uma nova fase de negociações", disse Yun Duk-min, do Instituto de Relações Exteriores e Segurança Nacional de Seul.


As jornalistas americanas foram presas em março deste ano / AP

Encontro com Kim Jong-il

Bill Clinton, em inesperada visita à Coreia do Norte para tentar a libertação de duas jornalistas norte-americanas detidas , encontrou nesta terça-feira Kim Jong-il, o recluso líder da nação comunista.

De acordo com a reportagem da agência Yonhap, Clinton teria entregado uma mensagem do presidente dos EUA, Barack Obama, a Kim Jong-il. A informação foi desmentida horas depois pela Casa Branca .  "Isso não é correto", afirmou o porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, indagado sobre a versão dada pela imprensa oficial da Coreia do Norte.


Encontro aconteceu na manhã desta terça-feira / Retuers

A Casa Branca também pareceu minimizar especulações sobre um possível avanço nas relações entre os dois países ao caracterizar a viagem de Clinton como privada.

A "Rádio Pyongyang" e a rede de televisão "Korean Central Broadcasting Station" disseram que Kim ofereceu um jantar a Clinton na residência destinada às visitas oficiais, sem fazer menção ao motivo da viagem.

Bill Clinton é mais importante personalidade dos Estados Unidos a visitar o regime comunista desde 2000, durante sua última presidência (1997-2001), quando a ex-secretária de Estado, Madeleine Albright, viajou ao país.


Imagem de TV estatal exibe encontro entre Clinton e KIm Jong-il / AP

Visita surpresa

A visita inesperada de Bill Clinton à Coreia do Norte  tinha como objetivo conseguir a libertação das jornalistas norte-americanas, uma medida que, segundo analistas, pode marcar o retorno da isolada dinastia comunista às negociações sobre armas nucleares.

A viagem de Clinton acontece após meses de provocações militares por parte da empobrecida Coreia do Norte, que virou as costas para as negociações com potências regionais, incluindo os EUA e a China, e decidiu manter seus planos de construir um arsenal atômico.

A agência de notícias norte-coreana KCNA disse que o principal negociador nuclear do país, Kim Kye-gwan, estava entre as autoridades que receberam Clinton, cujo governo teria considerada atacar a planta atômica norte-coreana de Yongbyon no início dos anos 1990.


Bill Clinton chegou nesta terça-feira à Coreia do Norte / AP

Imagens de televisão mostraram Clinton, vestido de preto, cumprimentando firmemente um oficial. Ele pareceu menos sério quando uma menina vestida com roupas tradicionais entregou flores, antes de ele entrar numa limousine preta.

É a segunda vez que um ex-presidente dos EUA se dirige à Coreia do Norte para tentar desarmar uma crise. O ex-presidente Jimmy Carter esteve lá em 1994 quando as tensões estavam elevadas, também por causa do programa de armas nucleares do país.

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