Após violência, governo do Egito proíbe manifestações

Protestos contra o presidente Hosni Mubarak deixaram quatro mortos nas cidades de Cairo e Suez

iG São Paulo |

O governo do Egito afirmou nesta quarta-feira que não permitirá novas manifestações no país após os violentos protestos realizados na terça-feira, que deixaram ao menos quatro mortos.

"Nenhum ato de provocação, reunião de protesto, passeata ou manifestação será permitida", informou um comunicado do Ministério do Interior. A nota acrescenta que qualquer pessoa que participe de "ações não autorizadas" será presa e processada.

Milhares de manifestantes foram ao centro de Cairo, capital do Egito, para exigir reformas políticas e econômicas, além da renúncia do presidente Hosni Mubarak, 82 anos, no poder há três décadas.

Nesta quarta-feira, grupos opositores convocaram um segundo dia de protestos no centro do Cairo. O movimento conhecido como 6 de Abril pediu no Facebook que os egípcios se reúnam na praça Tahrir, palco das manifestações de terça-feira. "Todos devem seguir para a praça e tomá-la de novo", diz a mensagem.

De acordo com a agência EFE, durante a madrugada policiais expulsaram manifestantes que já se reuniam na praça. A operação, realizada entre 1h e 3h (hora local), deixou ao menos 150 feridos. Pela manhã, o policiamento continuava forte no local. Policiais e manifestantes também se enfrentaram  na cidade de Suez, a leste da capital egípcia, onde cerca de 2 mil tentavam protestar contra o governo.

Segundo a AFP, fontes de segurança disseram que ao menos 500 foram detidos durante os confrontos.

Os grupos opositores do país buscaram inspiração na revolta popular na Tunísia, que conseguiu derrubar o líder Zine El Abidine Ben Ali. Os egípcios se queixam dos mesmos problemas que levaram à rebelião tunisiana: alta nos preços de alimentos, pobreza, desemprego e a repressão política. Nos protestos de terça-feira no Egito, muitos gritavam o nome "Tunísia."

Sites como o Facebook e o Twitter foram importantes na convocação dos protestos. O serviço de monitoramento da Internet Herdict, da Universidade Harvard, disse ter recebido de internautas egípcios a informação de que o Twitter estaria bloqueado no país.

Violência

O policial morto nos protestos no Cairo foi identificado como Ahmed Abdelaziz. Ele foi atingido na cabeça por uma pedra e morreu no hospital. As três outras vítimas fatais eram civis que morreram na cidade de Suez. Elas teriam sido atingidas por balas de borracha. Em Alexandria (norte), os manifestantes viraram um veículo policial e rasgaram uma foto de Mubarak, de 82 anos, e um de seus filhos, Gamal, que muitos egípcios acreditam estar sendo preparado para suceder o presidente.

Os Estados Unidos, aliados de Mubarak e importantes fornecedores de ajuda para o Egito, pediram moderação de todas as partes.

"Nossa avaliação é que o governo egípcio é estável e busca formas de responder às necessidades e interesses legítimos do povo egípcio," disse a secretária americana de Estado, Hillary Clinton, a jornalistas em Washington.

Com EFE e Reuters

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