Após vazamento, Obama defende estratégia para Afeganistão

Presidente americano se diz "preocupado" com vazamento de dossiê militar, mas afirma que documento não tem informações novas

iG São Paulo |

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, afirmou nesta terça-feira estar "preocupado" com o vazamento de um dossiê militar americano sobre a guerra do Afeganistão, mas disse que o documento não faz nenhuma revelação.

"Apesar de me preocupar com o vazamento de informações sensíveis sobre o campo de batalha que pode prejudicar indivíduos ou operações, o fato é que esses documentos não revelam nenhuma questão que já não faça parte do debate público sobre o Afeganistão", afirmou Obama. "Aliás, eles apontam para os mesmos desafios que me fizeram pedir uma ampla revisão da nossa política para o conflito."

AFP
Obama concede entrevista coletiva no jardim da Casa Branca

Em seu primeiro pronunciamento público sobre os documentos divulgados pelo site Wikileaks, Obama defendeu sua política para o Afeganistão.

"Durante sete anos, não conseguimos implementar uma estratégia adequada ao tamanho do desafio nesta região", disse Obama. "Por isso aumentamos subtancialmente nosso comprometimento, insistimos que nossos parceiros no Afeganistão e no Paquistão tenham mais responsabilidade, desenvolvemos um novo plano montamos uma equipe para colocá-lo em prática".

"Agora", acrescentou, "temos que seguir com esse plano".

Dossiê

A revelação de documentos militares confidencial de um período de seis anos aumentou a pressão sobre o presidente americano, Barack Obama, para defender sua estratégia militar enquanto o Congresso dos EUA se prepara para deliberar o financimento da Guerra do Afeganistão.

O vazamento dos documentos sobre o conflito pelo site Wikileaks, com seu relato detalhado de uma guerra em situação pior do que o retratado por dois governos, ocorreu em um momento crucial. Por causa das dificuldades em campo e do aumento no número de mortos na guerra, o debate sobre a presença americana no Afeganistão começou mais cedo do que o esperado. Dentro do governo, mais autoridades questionam silenciosamente a política adotada.

No Congresso, líderes da Câmara apressam-se a realizar ainda nesta terça-feira uma votação sobre um crítico projeto de lei sobre o financiamento da guerra, temendo que as revelações possam atrair a oposição democrata à medida. Um painel do Senado também deve realizar uma audiência sobre o escolhido de Obama como chefe militar do Comando Central, o general James N. Mattis, que supervisionaria as operações militares no Afeganistão.

Autoridades do governo reconheceram que os documentos dificultarão a situação para Obama enquanto ele tenta manter o apoio público e do Congresso até o final do ano, quando revisará a guerra.

Richard C. Holbrooke, representante especial de Obama para o Afeganistão e o Paquistão, disse que a guerra no Afeganistão se tornou uma questão de segurança nacional para os Estados Unidos, em testemunho perante o Comitê de Relações Exteriores há duas semanas.

O porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, manteve esse tom na segunda-feira em resposta à divulgação dos documentos, que o Wikileaks disponibiilizou ao The New York Times, ao jornal britânico The Guardian e à revista alemã Der Spiegel.

"Estamos nessa região do mundo por causa do que aconteceu no 11 de Setembro", disse Gibbs. "Para garantir que não haja um refúgio seguro no Afeganistão onde seja possível planejar ataques contra este país ou qualquer país ao redor do mundo. É por isso que estamos lá e é por isso que vamos continuar a fazer progressos nessa relação."

A Casa Branca parecia concentrar parte de sua ira contra Julian Assange, o fundador do Wikileaks.org , site que ofereceu acesso aos cerca de 92 mil relatórios secretos militares abrangendo o período compreendido entre janeiro de 2004 e dezembro de 2009.

Autoridades enviaram a repórteres emails com trechos selecionados de uma entrevista concedida por Assange à Der Spiegel, destacando as citações que a Casa Branca aparentemente achou mais ofensivas. Entre elas estava a afirmação de Assange: “Gosto de destruir bastardos."

Com AP e The New York Times

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