Após Unesco, palestinos querem pedir adesão a outras 16 agências da ONU

Egito diz que votação é recado para Israel, enquanto Liga Árabe e Rússia lamentam decisão americana de cortar fundos

iG São Paulo |

AP
Representante dos EUA na Unesco, David Killion, reage após votação que garantiu adesão de Autoridade Nacional Palestina à Unesco
Após conquistarem o status de membro pleno da Unesco , os palestinos estudam os procedimentos de adesão a outras 16 agências da Organização das Nações Unidas (ONU), segundo informaram autoridades nesta terça-feira.

“Estamos em fase de preparação porque cada organização tem suas próprias regras”, afirmou o embaixador-adjunto da missão palestina na ONU, Imad Zuhairi, em Genebra.

“Redigiremos um pedido de adesão antes de irmos bater à porta das agências”, completou, sem especificar as 16 entidades escolhidas.

A avaliação dos dirigentes palestinos é de que a vitória na Unesco, após votação realizada na segunda-feira, abre portas para o reconhecimento em outras agências - o que os dirigentes consideram um passo adiante na tentativa de ter o Estado palestino reconhecido pela ONU .

Israel e EUA se opõem à tentativa, com Obama já tendo anunciado que vetará a medida no Conselho de Segurança da ONU.

O governo de Israel também estuda possíveis respostas do país à decisão da Unesco, como a construção de novas colônias nos territórios ocupados de Jerusalém Oriental e Cisjordânia.

"O que se passou na Unesco não é algo sem importância e deve ser visto com seriedade. Israel pode escolher efetuar uma resposta unilateral a esta iniciativa", assinalou uma fonte diplomática ao jornal Yedioth Ahronoth.

Nesta terça-feira, o ministro das Relações Exteriores egípcio, Mohammed Amr, afirmou que a decisão da Unesco envia um sinal a Israel de que "já não pode continuar com a política de ignorar os direitos legítimos dos palestinos".

Em comunicado, Amr disse que a votação "representa um passo importante a favor da reivindicação palestina e reflete o apoio por parte da comunidade internacional aos direitos palestinos legítimos, principalmente o de estabelecer um Estado livre, independente e soberano".

Corte de financiamento dos EUA

A Liga Árabe e a Rússia criticaram o anúncio de que o governo americano cortará o envio de fundos à Unesco pelo fato de ela ter aprovado a admissão da ANP como membro pleno da organização.

Ao justificar a decisão de Washington, a porta-voz do Departamento de Estado, Victoria Nuland, disse que a votação ativa uma legislação dos anos 1990 que obriga um corte completo de financiamento americano a qualquer agência da ONU que aceite os palestinos como membro pleno antes de que seja alcançado um acordo de paz israelo-palestino. A Unesco depende dos EUA para 22% de seu orçamento - ou cerca de US$ 70 milhões.

Nesta terça-feira, o secretário-geral da Liga Árabe, Nabil al-Arabi, se disse “extremamente surpreso” com a decisão americana. "Esta iniciativa influencia negativamente nos esforços em andamento para retomar as negociações de paz e impedirá seu sucesso", afirmou al-Arabi, em comunicado.

O ministro russo das Relações Exteriores, Sergei Lavrov, lamentou a decisão americana. "A obtenção por parte dos palestinos do status de membro da Unesco era uma demanda legítima", opinou.

Com EFE, AFP e AP

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