Após uma semana de ataques, Gaza teme ofensiva terrestre

Saud Abu Ramadán Gaza, 2 jan (EFE).- A ofensiva militar israelense sobre Gaza completou hoje uma semana enquanto o número de mortos subia para 430 e a população permanecia aterrorizada pela possibilidade de uma invasão terrestre, que muitos consideravam inevitável e iminente.

EFE |

A abertura da passagem de fronteira de Erez, pela primeira vez nos últimos sete dias, para permitir a saída de Gaza de palestinos com dupla nacionalidade e estrangeiros foi percebida como um sinal de que os soldados israelenses podem preparar sua entrada na faixa.

Cerca de 250 pessoas, em sua maioria mulheres casadas com palestinos, fugiram nesta manhã de Gaza e serão transferidas à Jordânia com ajuda da Cruz Vermelha e de missões diplomáticas para, desde ali, viajarem para seus respectivos países.

Segundo testemunhas, o Exército israelense bombardeou hoje campos de cultivo próximos à fronteira, o que poderia estar destinado a limpar o terreno antes da entrada das tropas.

Um porta-voz do Exército israelense confirmou que a aviação realizou hoje cerca de 35 ataques, alguns dos quais próximos à cerca que separa a Faixa de Gaza e "tiveram como alvo plataformas de lançamento de foguetes" das milícias palestinas.

Pelo menos oito palestinos morreram pelos ataques de hoje, entre eles cinco crianças, informou à Agência Efe Moaweya Hasanein, chefe dos serviços de emergência do Ministério da Saúde de Gaza.

Segundo Hasanein, a ofensiva israelense deixou mais de 2.200 feridos, dos quais 500 se encontram em estado de extrema gravidade.

Entre os alvos golpeados hoje estão as casas de 15 integrantes do Hamas e uma mesquita do campo de refugiados de Jabalya utilizada, segundo a inteligência israelense, como armazém de foguetes e centro de operações do grupo islamita.

Segundo confirmaram a Efe fontes militares, as casas de Muhamed Madhun, membro do Hamas "responsável por lançar foguetes contra Israel", e de Imad Akel, "fabricante de foguetes e chefe destacado" da facção islamita, foram destruídas pela aviação israelense.

A casa de Madhun, conforme precisou um porta-voz do Exército, era utilizada como depósito e laboratório para a fabricação de foguetes e artefatos explosivos, enquanto a de Akel continha uma "loja de departamento de armas".

Também foram atacados cinco túneis que ligavam o sul de Gaza com o Sinai egípcio, várias plataformas de lançamento de foguetes e três depósitos de armas.

O Exército israelense ainda jogou sobre Gaza centenas de panfletos nos quais solicita a ajuda de informantes e oferece "ajuda e assistência" a quem fornecer dados sobre onde se escondem plataforma de lançamento de foguetes e "elementos terroristas".

A mesma mensagem foi divulgada por Israel através de rádio, interrompendo as transmissões da emissora palestina "Voz de Jerusalém", com base em Gaza.

A milícia das Brigadas Qassam, braço armado do Hamas, conseguiu, por sua vez, interromper os canais da rádio do Exército israelense para divulgar comunicados em hebraico ameaçando os soldados contra sua entrada na faixa.

Além disso, diversos cidadãos israelenses receberam hoje mensagens de texto em seus celulares em hebraico e assinados pelo Hamas que diziam: "Foguetes em todas as cidades. Os refúgios não os protegem dos foguetes Qassam".

As milícias palestinas lançaram hoje 30 foguetes contra o território israelense, que atingiram as regiões de Sderot, Ashkelon, Ashdod e Eshkol, ferindo ao menos uma pessoa.

O porta-voz do Hamas, Fawzi Barhoum, declarou em comunicado enviado à imprensa que "o fato de Israel atacar casas, mesquitas e escolas demonstra as mentiras dos sionistas de que o alvo é o Hamas".

"O inimigo sionista está perpetrando crimes horríveis contra civis inocentes e seres humanos. Isto não é uma guerra contra o Hamas, como dizem, mas uma guerra contra toda a Faixa de Gaza", disse Barhoum.

Desde Ramala, o assessor presidencial e chefe negociador palestino, Saeb Erekat, anunciou que o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, viajará esta noite para Nova York, a fim de tentar um consenso que obrigue Israel a declarar uma cessação incondicional da ofensiva. EFE sa'ar-aca-amg/jp

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